Explicação

A apresentação abaixo foi extraída da “Poliantéia do Centenário de Pinhal”, publicada em 27 de Dezembro de 1949, por ocasião das comemorações do centenário da cidade.

A comissão organizadora da Poliantéia era assim constituída:

Ernesto Rizzoni - Dr. Walter Faustino P. Silva - José Carreiro Sobrinho - Eduardo S. Ramos de Souza - Armando Del Giudice - Roberto O. P. Cruz - Otacílio T. Valim - Omar Barreto Campos - Dr. Januário Nicolela Neto - Prof. Domingos Ramaciotti - Hercules M. Florence - Nestor Rodrigues Neves - Vilarindo B. da Silva - Antonio Jannini - Francisco Staut - Laurindo A. Marques Junior - João E. Azevedo Marques - José D’Ávila Sales - João Ferretti - Ângelo Oricchio - Rogério Tito Motta - Frederico Lima Neto

Ao ler o texto abaixo, pedimos a compreensão do leitor para determinadas palavras que eram de uso corrente na época da edição do livro (1949), fato que nos levou a transcrever o texto “ipsis litteris”, apenas atualizando a ortografia e acentuação de acordo com as atuais normas gramaticais da língua portuguesa.

 

Primeiros Grupos

O primeiro grupo espírita formou-se em Pinhal sob a direção de Manuel Rola auxiliado por dona Idalina (sogra do Sr. Manuel Camargo). O segundo grupo surgiu sob a orientação do saudoso José Seco, que por largos anos foi porteiro do Grupo Escolar “Dr. Almeida Vergueiro”. Desse grupo fazia parte o popular Tonico Costa, cujas faculdades mediúnicas se desenvolveram e se revelaram. José Seco freqüentou as primeiras reuniões espíritas em casa de um senhor por nome Laurindo Ribeiro da Cunha, apelidado de “Laurindão” e que residia à rua Abelardo César onde hoje reside e está estabelecido o Sr. Orestes Bottura. Depois, ditos trabalhos passaram a ter lugar em casa de Dona Maria de Lima, sogra do Sr. João de Melo. Residia a referida senhora no então Largo da Matriz, junto ao prédio da Sociedade Recreativa.Mais tarde foram os trabalhos transferidos para a rua Emerenciana Leite, residência do professor José Maria Loureiro. As aludidas reuniões só se processavam quando por aqui aparecia algum confrade propagandista e pregador da doutrina. Dentre estes costumavam aparecer em Pinhal um senhor por nome Fernando, residente em Itapira e o Sr. Urias, residente no Rio de Janeiro e irmão carnal de Dona Deolinda Loureiro, consorte do prof. Loureiro. Corria, por essa época, o ano de 1909. José Seco já então integrado nos meios espíritas, houve por bem fundar um Centro a que denominou de Centro Espírita “Perdão, Amor e Caridade”, alugando para esse fim um prédio na rua Eduardo Teixeira (antigo Beco dos Mosquitos). O primeiro grupo diretor desse Centro se compunha dos seguintes: - Presidente, José Seco; médiuns Antônio Costa (Tonico Costa), Dona Maria Carolina de Souza, José Medeiros (Juca Tigre), Pedro Galvão e Dona Terezinha Munhoz. Eram congregados: - Alfredo Rodolfo de Andrade, o popular Alfredo Lenheiro, Antônio Pereira, Manuel Rola, João Severino, Maria Rosa Seco e Mariana Badan. Promoviam-se reuniões semanais (quintas e domingos) e esporadicamente reuniões extraordinárias.

Em 1910 fundava-se o Centro Espírita “Amável Jesus da Galiléia”, instalado em casa de José Seco e por ele dirigido. Freqüentavam seus trabalhos, além da saudosa matrona e médium Dona Terezinha Munhoz, os seguintes irmãos: - José Medeiros (Juca Tigre), Alfredo de Andrade, Antônio Costa (Tonico Costa) e Juventino Worms Barbosa. Falecendo José Seco, o Centro passou a funcionar, desde 1914, em casa Antônio Costa na então rua da Misericórdia, hoje rua Pinheiro Machado. Dirigiram nessa ocasião os trabalhos do Centro em apreço os irmãos: - Lázaro José Gonçalves e Joaquim Martins de Siqueira, tendo como colaboradores os irmãos Antônio Simão, Manuel Francisco de Barros, vulgo Maneco Seleiro, Inocêncio de Barros Juventino Worms Barbosa e Dona Maria de Lima. Entusiastas da doutrina, Joaquim Martins de Siqueira e Benedito Pires doaram o terreno necessário à construção de um templo próprio. Dai por diante passou o Centro em questão a ser dirigido pelos seguintes elementos: - Joaquim Martins de Siqueira, Antônio Simão, Benedito Pires, Alfredo Andrade, Manuel Francisco de Barros, Inocêncio de Barros, Sebastião Menezes, vulgo Sebastião Mineiro, e Juventino Worms.

Em 1912 contou o Centro “Amável Jesus da Galiléia” com a seguinte Diretoria: - Presidente Alípio Couto - Vice-presidente Alfredo Avella. Membros: - Miguel Cardoso, Sebastião Menezes, Juventino Worms e Lázaro José Gonçalves.

 

Centro Estrela da Caridade
(Associação Espírita “Estrela da Caridade”)

A 11 de Janeiro de 1911, fundava-se por Manuel Rola e Eugênio José Gonçalves, o Centro Espírita “Estrela da Caridade”, em prédio próprio cujo terreno fora adquirido por compra feita ao Sr. Eugenio José Gonçalves. Sua primeira Diretoria ficou assim constituída: - Presidente Adélia Rueff – Vice-presidente Eugênio José Gonçalves - 1.o Secretário Elias Antônio Ferreira - 2.o Secretário José Domingues Oliveira - Diretor Ana Lucia de Almeida - 1ºs. Procuradores - Francisco Antônio de Camargo e Vicente Laurito - 2.o Procurador Joaquim Felício de Souza - Tesoureiro José Joaquim Bento Moreira.

Decorridos 39 anos de labor espiritual vamos encontrar ainda Dona Adélia Rueff, a benquista e veneranda Dona Adélia, com sua fé cada dia mais viva, com a sua convicção cada vez mais inabalável, dirigindo o Centro “Estrela da Caridade”. É de ver a sua bondade, o seu tacto todo especial, a sua calma e reflexão no trato com as entidades espirituais, frente à direção dos trabalhos. Digna do mais profundo respeito. De maior estima, Dona Adélia já bem velhinha no corpo, porém jovem no espírito, é bem o exemplo vivo de um espírito ativo e cada vez mais renovado. Parabéns, Dona Adélia!

 

Outros Grupos

Está assim constituída sua atual Diretoria: - Presidente - Adélia Rueff - Vice pres. Gilberto Leite Vieira - 1.o Secretário Amélia Neto 2.o Secretário José Pacheco Dutra - Tesoureiro Ana Alquati - Procurador Francisco Bernardes Staut.

Em 30 de março de 1914, Augusto de Souza Brito, coadjuvado por sua esposa, a médium Dona Maria Carolina de Souza, fundou um grupo de orientação Kardecista. Seus trabalhos iniciais contaram com a colaboração dos seguintes: Justino José Rodrigues que presidia, Hermínio Cavagnolli, Olívia Urroz e Virgínia Sérgio. Este grupo mais tarde, ou seja, em outubro de 1924, se converteu no Centro Espírita “Paz, Amor e Compaixão”, sendo esse acontecimento festivamente celebrado.Já nesse tempo contava o Centro com a cooperação dos seguintes confrades: Adelina de Oliveira, Maria do Carmo Pontes, Lázaro de Oliveira, Indalécio Sérgio de Oliveira, Benedito Almeida, Júlia Maria de Jesus e Cristiano Pereira. Em 1927 eram congregados deste Centro os irmãos Agostinho Tóffoli, Júlia Tóffoli, Sebastião Franco de Moraes, José Sabino, José Marcelino, Deolinda Gonçalves e Orlando de Souza Brito, além dos já mencionados.

Em 1936 contava com o concurso de mais os seguintes: - Simpliciano de Moura, João de Oliveira, Anselmo Castilho, Cândida Castilho, Virgínia e Laudelina Sérgio.

 

Associação Espírita “Vicente de Paulo”

A 2 de novembro de 1927, em reunião solene, realizada no edifício do Éden Teatro, desta cidade, por iniciativa do Major Francisco José Fernandes, mais conhecido pelo apelido de Major Vitico e dos senhores José dos Reis Pontes, Francisco Pereira Munhoz e Alípio Ferreira Couto, fundou-se a Associação Espírita “Vicente de Paulo” tendo como objetivo a prática da caridade e o estudo do Espiritismo Cristão em suas mais amplas manifestações.Presidiu a esse conclave o Sr. Major João Teixeira Branco que convidou para secretários os senhores Hermógenes de Mello Júnior e Júlio Barbosa Júnior.Sob aclamação unânime ficou constituída da seguinte maneira sua primeira Diretoria: - Major Francisco José Fernandes - 1.o Vice Presidente Francisco Antunes - 2.o Vice Presidente Major João Teixeira Branco - 1.o Secretário Hermógenes de Mello Júnior - 2.o Secretário Júlio Barbosa Júnior - 1.o Tesoureiro -José dos Reis Pontes - 2.o Tesoureiro Francisco Paiva - Procurador Geral Viriato Rodrigues Mendes - Orador Dr. Abílio Pinheiro - Orador Adjunto Prof. José Rui Barbosa - Fiscal Agostinho Tóffoli.Dentre os antigos sócios, guarda a Associação a memória do seu benemérito fundador e benfeitor, Major Francisco José Fernandes, falecido em 18 de março de 1933.Por ele foi doado o prédio onde funciona a Associação, à rua Pinheiro Machado.

No desejo de melhor atender às suas finalidades bem como ao imperioso do seu crescente desenvolvimento, a Associação Espírita “Vicente de Paulo” no momento está introduzindo reformas substanciais em seu templo sito à rua Pinheiro Machado.E o prediozinho modesto de até a pouco, vai se metamorfoseando em templo de beleza arquitetônica admirável, verdadeiro ornamento para o urbanismo pinhalense, valioso esforço de sua atual Diretoria que está assim constituída: - Presidente Agostinho Tóffoli - Vice Presidente Francisco Paiva – 1º Secretario João de Oliveira – 2º Secretário Antônio Mariano Lopes – lº Tesoureiro Antenor de Barros 2º Tesoureiro Lupércio Rodrigues Novo – 1º Fiscal Pedro Martins de Souza – 2º Fiscal João Batista Serpa - Orador Otorino Honorato. É muito provável que ao ser publicado este trabalho já esteja concluída a obra de reforma do templo acima mencionado.Em 1931, Antenor de Barros, João Pierotti (Jango), a esposa deste Dona Ana Pedroso Pierotti, Mario Scanapieco, Oberdan Casalecchi e outros, organizaram-se em grupo de estudantes e praticantes do Espiritismo Cristão, realizando os trabalhos mediúnicos em casa de João Pierotti. Falecido João Pierotti, ditos trabalhos passaram a ter lugar na residência do confrade Rogério Tito da Mota, quando, em homenagem póstuma, foi dado ao grupo o nome de Centro Espírita “João Pierotti”.

Em 1946, em virtude da maioria dos componentes deste Centro serem sócios da Associação Espírita “Vicente de Paulo”, resolveu-se que os trabalhos passassem a se realizar no templo da Associação. Faz parte também deste grupo o Sr. Francisco Paiva.Dois grupos mais seja o “Humilde José da Galiléia” dirigido por Francisco Martins Gimenez, e “João Batista”, dirigido por Manuel Cristino funcionaram nesta cidade de 1922 a 1934 quando se incorporaram à Associação Espírita “Vicente de Paulo”.

 

Associação Espírita “Estrela, Luz e Verdade”

Em 31 de outubro de 1944, no bairro do Sertãozinho, sob a direção de Dona Adelina Correia de Oliveira e seu esposo Indalécio Sérgio de Oliveira surgia a Associação Espírita “Estrela Luz e Verdade”. Verdadeiros crentes no Espiritismo, esse casal abriu as portas de seu lar, transformando sua sala principal em Centro de Cultura do Espiritismo. E o número de crentes a princípio reduzido é hoje bem grande, motivo por que a idéia de se construir um templo próprio surgiu entre os congregados. E se tão bem pensaram, melhor o estão realizando, pois na rua recém-aberta, nos fundos da Igreja de São Benedito, um belo edifício - o primeiro a ser ereto naquele local - vai recebendo aos poucos os últimos retoques. E isto feito num rasgo de fé, à custa de ingentes esforços, com as espórtulas dos congregados e ofertas generosas de corações bem formados.

Dentro em breve será inaugurado o novo templo com uma série de conferências por experimentado confrade da Capital do Estado. Está à frente deste Centro como a sua esforçada e digna Presidente, a senhora Dona Adelina Correia de Oliveira.

 

Outros Centros

Pelo que se sabe há ainda dois outros Centros, seja o Centro Espírita “Estrela Luz e Caridade” sito no Bairro do Matadouro e outro no bairro do Triangulo, cujo nome ignoramos.

Além dos Centros legalmente organizados, com personalidade jurídica, existe um sem número de grupos de estudiosos da doutrina Kardecista, seja do Espiritismo Cristão, que funcionam nos diferentes bairros da cidade e em domicílios particulares. No bairro do Alto Alegre, na chácara do confrade Américo Cavalheri funciona um Grupo sob sua orientação, grupo esse que funcionou de 1936 a 1946 em casa do falecido Sr. José Bueno Camargo (Nenê Camargo) no bairro supra citado.

 

Liga das Senhoras Espíritas de Pinhal

Ultimamente fundou-se na cidade, a Liga das Senhoras Espíritas de Pinhal que tem na sua presidência a ativa e consagrada confreira, a médium Dona Odete Morais Ribeiro, e que congrega todas as senhoras espíritas, membros dos diferentes Centros da cidade. No desempenho da sublime missão de minorar os sofrimentos atendendo às necessidades dos pequeninos, a Liga se tem desdobrado, levando ao tugúrio do pobre o médico, o remédio, o alimento e roupas, e ao palacete do rico a sua palavra de fé e de estímulo. É de ver a romaria que constantemente aflui, ora à casa da Presidente, ora ao templo da Associação, agradecida e satisfeita pelos benefícios recebidos. E a Dona Odete com aquela solicitude que lhe é tão peculiar, com aquele espírito de servir, a todos atende sem distinção, sem perguntar pelo credo religioso que professam.Há famílias que caminham 6 a 7 quilômetros, à noite, para virem assistir aos trabalhos da Associação e da Liga. E para consolo e estímulo de todos, a obra espírita, mercê de Deus, cresce e se desenvolve a olhos vistos.Os templos se abarrotam em dias de trabalhos práticos e de pregação do Evangelho. Os grupos isolados vão se fundindo e novos Centros surgem. Cumpre-se, destarte, a predição bíblica: - se a obra não for de Deus, ela se desfará, porém se for de Deus, não se desfará.

 

 

Desenhado e produzido por
Antonio Luís Lourenço dos Santos

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