Veja apresentação de slides de Espírito Santo do Pinhal SP - Brasil
No intuito de fornecer aos visitantes das nossas
páginas material altamente informativo sobre a "História de Pinhal", fomos
encontrá-lo na Poliantéia do Centenário de Pinhal”, publicada em 27 de
Dezembro de 1949, por ocasião das comemorações do centenário da cidade. A "Poliantéia do Centenário de Pinhal" é um livro de valor histórico
inestimável para os pinhalenses, contendo não só a história da cidade
propriamente dita, como muito bem ilustrada. Como se trata de um livro de
tiragem limitada, que somente alguns pinhalenses o possuem, tomamos a
liberdade de transcrever alguns artigos, para que todos possam ler, sentir e
viver a história de Pinhal. Ao ler os textos, pedimos a compreensão do leitor para determinadas palavras que eram de uso corrente na
época da edição do livro (1949), fato que nos levou a transcrever o texto
“ipsis litteris”, apenas atualizando a ortografia e acentuação de acordo
com as atuais normas gramaticais da língua portuguesa.
A comissão organizadora da Poliantéia foi brilhantemente constituída pelos
ilustres cidadãos pinhalenses abaixo listados:
Ernesto Rizzoni - Dr. Walter Faustino P. Silva - José Carreiro Sobrinho - Eduardo S. Ramos de Souza -
Armando Del Giudice - Roberto O. P. Cruz - Otacílio T. Valim - Omar Barreto
Campos - Dr. Januário Nicolela Neto - Prof. Domingos Ramaciotti - Hercules M.
Florence - Nestor Rodrigues Neves - Vilarindo B. da Silva - Antonio Jannini -
Francisco Staut - Laurindo A. Marques Junior - João E. Azevedo Marques - José
D’Ávila Sales - João Ferretti - Ângelo Oricchio - Rogério Tito Motta -
Frederico Lima Neto
Os links no topo da página levarão o leitor à épocas e datas nas quais fatos relevantes
de nosa história foram narrados pelo escritor pinhalense Ernesto Rizzoni.
Abaixo damos apenas um resumo da história pinhalense. Espírito Santo do Pinhal tem sua raiz
mais profunda ligada ao indígena Caiapó que habitava este território. A partir de 1700,
caravanas de aventureiros em busca de fortuna começaram a atingir esta área.
Bandeirantes adentraram ao sertão à procura de ouro e pedras preciosas, através dos
rios de acesso, caminhos naturais, que passavam por estas proximidades. O território da
atual cidade se inseria na Sesmaria doada a Jorge da Silva Nobre em 09 de Agosto de 1728.
Esta se limitava com outra Sesmaria doada a Antonio da Cunha Abreu, um dos ascendentes de
Romualdo da Souza Brito. Este, vindo de Mogi das Cruzes, aqui se
dedicou à agricultura, juntamente com outros membros de sua família. Verificando-se,
entretanto uma demanda sobre a posse de uma parte de suas terras por outros agricultores
que aqui se estabeleceram, Romualdo de Souza Brito e sua esposa Thereza Maria de Jesus
resolveram solucionar definitivamente a questão, fazendo doação daquelas terras em litígio
para formação do patrimônio do Divino Espírito Santo, conforme escritura pública
lavrada na então freguesia de São João da Boa Vista, a 27 de Dezembro de 1849. Essa
doação compreendia 40 alqueires retirados da "Fazenda Pinhal", pertencente à
freguesia de Mogi Guaçu, fato esse que deu origem ao nome de "Espírito Santo do
Pinhal", cuja origem se deve à grande quantidade de pinheiros do tipo Araucária existentes nestas paragens. A cronologia de Pinhal assim se resume:
09 de Agosto de 1728 - Sesmarias Coube a Jorge da Silva Nobre a
sesmaria em cuja inscrição figurou em parte o território de Espírito Santo
do Pinhal, dádiva feita em 9 de Agosto de 1728 e composta de terras que
limitavam com o atual município de Mogi Guaçu e com a sesmaria de Antônio da
Cunha Abreu, um dos ascendentes de Romualdo de Souza Brito. A sesmaria de Antônio da Cunha
Abreu, de quatro léguas de terras, em quadra, partia do rio Atibaia, tributário
do rio Piracicaba, e a de Jorge da Silva Nobre prolongava-se, pela frente, até
o lugar denominado Itaqui, no atual município de Mogi Guaçu. A partir de 1700, em plena florescência
do bandeirismo paulistano, caravanas de aventureiros, sequiosos de fortuna, começaram
a palmilhar estas então inóspitas paragens, em busca do ouro e das pedras
preciosas de Minas Gerais e de Goiás, enfrentando com indômita coragem os indígenas
e os animais ferozes que povoavam as indevassadas florestas, e a morte que, a
cada passo, espreitava-os, oculta atrás dos troncos dos pinheiros de comas
opulentas. As bandeiras paulistanas,
segundo roteiro da época, partiam da sede da capitania, dirigiam-se a Juqueri,
transpunham o morro do Lopo, chegavam até poucos quilômetros de Mogi Guaçu,
em território pinhalense, onde a estrada dividia-se em dois ramos: um que se
dirigia a Ouro Fino e outro que, seguindo para Baependi, atravessava os rios
Cervo, Sapucaí e Verde, rasgando os sertões de Camanducaia e superando o morro
de Caxambu. As que se destinavam a Goiás, possuíam
dois caminhos, que partiam do Rio de Janeiro e de São Paulo. no primeiro, do
Rio, vinham pela Serra da Mantiqueira, morro do Lopo, atingindo as atuais
divisas de São Paulo e Minas, neste município, alcançavam Rio Pardo, e
embrenhavam-se por Goiás a dentro. No segundo, partiam de São Paulo, passavam
por Jundiaí, Atibaia, Jaguari (hoje Bragança Paulista), Mogi Mirim, Mogi Guaçu,
Itaqui, Casa Branca, Batatais e, transpondo o Rio Grande, avançavam nos sertões
de Goiás. As terras inexploradas constituíam
nessa época a grande atração da gente paulistana, desbravadora por índole e
por devoção. Reboavam ainda, em clarinadas, as façanhas de Martim de Sá,
Nicolau Barreto, Antônio Raposo, Fernão dias Paes Leme e muitos outros que, caçando
o gentio, iam alargando as fronteiras do Brasil. Após a fase da captura dos silvícolas,
entrou a fase do ouro que faiscava no leito dos rios e na mente dos homens. Como
antes, São Paulo alimentava-se e vivia das lutas, das façanhas, das histórias
e das lendas provocadas por seus filhos que, impávidos, rasgavam o seio da pátria;
abrindo atalhos, rompendo florestas, vadeando rios, fundando povoados e lavouras
e semeando riquezas, sangue e morte, na homérica epopéia das bandeiras. Precisamente nessa época, que
os bandeirantes, lutando por terra e por água, por caminhos fluviais,
aproveitando o magnífico sistema hidrográfico do país, conquistavam palmo a
palmo o solo da pátria, receberam Jorge da Silva Nobre e Antônio da Cunha
Abreu as sesmarias, cujas terras abrigam hoje opulentas e magníficas cidades
entre as quais figura, como uma das mais belas, esta soberana das serras, rica
no seu patrimônio material e espiritual e na cultura e inteligência dos seus
filhos. 27 de Dezembro de 1849
- Outorga da Escritura
de Doação das Terras de Pinhal
Procedia Romualdo de Souza Brito de Mogi das Cruzes, onde nascera, e aqui viera
acompanhado de outros membros da sua família, alguns anos depois do grito do
Ipiranga. Era filho de Alexandre de Souza Brito e de D. Gertrudes Maria da
Conceição e neto de José de Souza Pinto e de D. Ana da Cunha Cardoso, esta
descendente do sesmeiro Antônio da Cunha Abreu.
O nosso território, com a evolução de Mogi Mirim e de Mogi Guaçu, começou a
povoar-se, e já em 1822, data da proclamação da nossa independência,
numerosos eram os colonizadores que, atraídos a estas terras dadivosas, aqui
se haviam estabelecido, vendendo seus produtos e abastecendo-se naquelas
freguesias.
Vários eram os possuidores do nosso território em 1849 e poucas são as propriedades
existentes. Sobressaiam, pela sua área, as fazendas Sertãozinho e Pinhal, esta
coberta de denso pinheirais, que lhe emprestaram o nome.
Romualdo de Souza Brito, um dos donos da fazenda Pinhal, propriedade que vinha sendo
disputada por diversos colonizadores da fazenda Sertãozinho, ignora-se a que
título, iniciando certa vez a derrubada dos pinheiros existentes na atual Praça
da Independência ou da Matriz, para plantar milho, foi obrigado a interromper
o serviço em virtude dos gritos de desafio e dos tiros de espingarda e de
trabuco, que lhe foram dirigidos.
Espírito profundamente religioso e equilibrado, Romualdo foi tomado de súbita inspiração.
Declarou que não mais faria a roça, mas que doaria das suas partes ao Divino
Espírito Santo, uma sorte de terras de quarenta alqueires, para patrimônio e
a fim de que, no mesmo lugar onde ocorrera o incidente, fosse erigida uma
capela.
Em 27 de Dezembro de 1849, pelo notário da então freguesia de São João da Boa
Vista, José Antônio de Abreu e Silva, por solicitação dos doadores
Romualdo de Souza Brito e sua mulher, foi lavrada no livro 4º, às fls. 52 e
v. a escritura de doação, nos seguintes termos:
- "Saibão quantos este público instrumento de escriptura
publica de doação virem, que no anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo
de mil oitocentos e quarenta e nove, vigesimo oitavo da Independencia do Brasil,
aos vinte e sete dias do mez de Dezembro do dito anno, n'esta freguezia de S.
João da Bôa Vista, termo da cidade de Mogy-mirim e provincia de S. Paulo, em
casa de morada de Romoaldo de Souza Brito, onde eu escrivão de paz e tabelião
foi vindo para passar a presente escriptura, ahi estavam presentes os ditos
Romoaldo e sua mulher Thereza Maria de Jesus, ambos a mim, conhecidos pelos
proprios de que tracto, e dou fé, e por elles outorgantes marido e mulher, foi
dito perante duas testemunhas abaixo-assignadas, que elles outorgantes são
senhores de duas partes de terras de cultura, na fazenda denominada Pinhal,
cabeceira do ribeirão dos Porcos, no districto da freguezia de Mogy-guassú, de
cujas partes de terras fazem doação de quarenta alqueires, para servir de
patrimonio da capela do Divino Espírito Santo, que se intenta fundar no dito
lugar, cuja doação de quarenta alqueires de terra fazem muito de suas livres
vontades, sem constrangimento algum; nem elles nem seus herdeiros poderão
derrogar ou annular esta doação em tempo algum, e elles outorgantes doadores,
declaram que em dito terreno dos quarenta alqueires de terras, que ora dão para
o dito patrimonio, reservam para si cento e vinte palmos de frente e seus
competentes fundos, para seus edifficios em qualquer lugar que lhes for mais
commodo; bem assim reservam mais sessenta palmos de frente e seus competentes
fundos, para se edificar uma casa de morada para o vigario que alli for residir
e todos os mais moradores que alli se quizerem arranchar pagarão o fôro de cem
réis por braça annualmente, sendo applicado para as despezas d'aquella egreja, e
protestem de a todo tempo que se mover alguma duvida em dito terreno, delles
outorgantes doadores, fazer bôa, firme e valida a dita doação, livre e
desembaraçada de qualquer duvida que por ventura se mova. E de como assim o disseram e outorgaram e pediam a
mim tabelião que lhes acceitasse suas outorgas, e lavrasse a presente em
minha nota. Eu como pessoa publica, lhes acceitei e lavrei a presente, que
lida acceitaram e assignaram, sendo a rogo da doadora Thereza Maria de
Jesus, Manuel José Gomes de Abreu, sendo testemunhas presentes José Luiz
de Andrade e José Garcia de Oliveira Filho, depois de lida por mim José
Antônio de Abreu e Silva, tabelião, que escrevi em publico e raso. O
tabelião José Antônio de Abreu e Silva, Romoaldo de Souza Brito, Manuel
Gomes de Abreu, José Garcia de Oliveira Filho, José Luiz de Andrade, N.'.o
'60 réis, pagou de sello 160 réis. São João da Bôa Vista, 27 de
Dezembro de 1949. - André. - D'esta 240 réis." -
O acontecimento não foi bem recebido pelos turbadores, que procuraram, antes da
sua transcrição, anular a escritura, bem como provocar distúrbios, iniciar
a derrubada de mato e construir benfeitorias nas terras doadas, quando dois
desastres, atribuídos a causas sobrenaturais, fizeram cessar as hostilidades
que cada dia mais se agravavam.
Estava uma menina a peneirar milho, quando ocorreu desprender-se o espeque que
segurava o madeiro do monjolo, matando-a. Na mesma ocasião, um carpinteiro
caiu de um andaime, vindo a falecer dos ferimentos recebidos.
Essas ocorrências, conjugadas a outras anteriormente verificadas, foram recebidas
como castigo do céu, influindo de maneira relevante para serenar os ânimos,
consolidar a doação feita e decidir a sorte da povoação nascente.
13 de Fevereiro de 1850
- Capela Curada Serenados os ânimos, aproveitando com inteligência o momento psicológico que esses
acontecimentos provocaram, o lavrador Germano Antônio Fernandes, vulgo
"Germaninho", iniciou uma subscrição destinada ao custeio da construção
da capela, merecendo a melhor acolhida da população do bairro e ficando o único
pedreiro da povoação, Eleutério de Oliveira Prestes, encarregado de construí-la.
Protetoresda capela, Romualdo de Souza Brito, Joaquim Corrêa e José Romualdo,
contrataram a sua construção por 200$000, inclusive a ereção de um altar
provisório.
Atendendo às solicitações dos moradores, o então Bispo de São Paulo, de acordo com o
presidente da Província, padre Vicente Pires da Motta, concedeu em 13 de
Fevereiro de 1850, a denominação de Capela Curada à povoação nascente.
Nesse ano, poucas eram as moradias existentes. Em 25 de Agosto de 1851, um ano e
poucos meses mais tarde, segundo depoimento de Francisco Pereira Machado, tabelião
em São João da Boa Vista e que aqui residiu, sobre a origem e fundação da
capela, existiam apenas as seguintes:
-
"Cheguei para aquelle logar no dia 25 de Agosto de 1851, para alli fazer
a minha residencia, vindo tambem commigo meu finado pae Manuel Pereira dos
Reis, nossas familias e escravos. Tivemos por morada, durante poucos mezes,
uma chacara aquem da capella, chacara essa, então, de Joaquim Corrêa Gomes,
na estrada dos Braganceiros para a capella.
O logar onde se achavam fincados seis esteios para a edificação da
capellasinha, estava ainda por traz do oitão futuro da mesma. O largo todo da
capella estava juncado de madeiras derribadas na queimada, tendo apenas um
caminho, que da casa de José Justino de Todelo (inspector de quarteirão, que
servia de capitão-mór), subia para os lados da fazenda de Romoaldo de Souza
Brito, e d'alli para Ouro Fino, etc.
Tinha apenas as casas principaes seguintes: a de Romoaldo de Souza Brito fazendo-se,
estava por barrear-se e da qual era official carpinteiro Domingos de Souza
Freire, irmão do dono da casa; ainda uma casinha pequena, abaixo d'esta, que
era do finado Pedro Xavier, onde morava Jorge Allemão, ferreiro.
Joaquim Ferreira Gomes já tinha fincado os esteios de sua casa, no fundo do pateo,
sem ter mais benfeitorias; ao lado direito, descendo tinha uma casa da venda
da Rita Cardoso, irmã de Francisco Mendes, valentão do bairro, e para baixo
só tinha o inspector José Quintino de Toledo.
No fundo da capela estava principiado o engenho de serra que fazia José Antonio
de Souza Brito, feito pelo machinista Eleuterio de Oliveira Prestes. Tambem
tinha uma pequena casa (abaixo do largo) que era de Luiz de Brito, na qual
morei dois a trez mezes; bem como Joaquim Pedroso estava fazendo uma casa do
lado direito, subindo para o pateo.
Eram as casas que haviam e mais uma pequena perto de José Justino, em que morava
Manuel da Silva ao pé do ribeirão".
25 de Dezembro de 1851
- Primeira Missa Chegando ao conhecimento de Romualdo que na localidade vizinha, denominada Abertão, em
casa de D. Luiza, mãe de um tal Serolote, encontrava-se o padre Manuel José de
Faria, vulgo 'chapéu de junco', dirigiu-se o patriarca àquela localidade em
companhia de Manuel Pereira dos Reis a fim de convidar o ministro de Deus a
celebrar, no dia 25 de Dezembro de 1851, a primeira missa na capela, bem como
oficiar nos dias seguintes até 1º de Janeiro de 1852.
Conta a tradição que Serolote era um indivíduo extremamente sovina. Quando
cavalgava, tirava as calças, prendia-as ao arção da sela, para não gastá-las.
E assim, em ceroulas, permanecia durante toda a viagem. Disso adveio-lhe o
apelido de Serolote, que foi transmitido aos seus descendentes.
Obtendo o assentimento do padre, Romualdo regressou na véspera do Natal em companhia
deste e de Manuel Pereira dos Reis, em cuja casa o reverendo ficou hospedado
Romualdo e seu companheiro Manuel Pereira dos Reis trataram logo de convocar os
habitantes para a limpeza do pátio e o cerco da capela. Reunido o povo, um
grupo cortava os paus e o outro carregava-os, utilizando-se também de bois
nesse mister. Fez Joaquim Serrador, às expensas de Manuel Pereira dos Reis, uma
grande cruz, de um cedro dado por José Garcia e nesse dia mesmo da véspera de
Natal foi o madeiro levantado.
Francisco Pereira Machado, José Romualdo e Luiz Romualdo encarregaram-se do cerco da
capela e fizeram um soalho alto, erigindo ali o altar provisório para os ofícios
divinos.
A manhã do dia 25 de Dezembro de 1851 surgiu radiosa. Havia alegria nas almas e
nos corações. Tudo era festa e contentamento, como se os moradores, descoberto
o sipário do porvir, vissem, debuxada no azul do firmamento ou nos pendores das
serras, a terra dos crepúsculos de ouro, dos cafeeiros longevos, das vivendas
alegres e dos jardins floridos, estuante de progresso, de vitalidade e de
riqueza!.
As cerimônias religiosas prosseguiram até o Ano Bom de 1852, quando o padre
Manuel José de Faria regressou ao Abertão, levando na consciência certeza de
que a cruz de cedro, plantada no arraial, converter-se-ia, pelos séculos em fora,
na bandeira de um povo amante da religião, da bondade e do progresso! /font>
Naquela terra em que outrora vagavam os felinos da selva e os senhores das tabas;
naquela terra em que os bandeirantes, dirigidos pelo sol e pelos trilhos das
feras, varavam a luxuriante vegetação em busca de bugres e pepitas de ouro, um
novo poder se levantava, um templo surgia, um foco de espiritualidade nascia,
para dilatar, para alargar, para disseminar a fé cristã, na conquista de mais
uma porção de almas ao Império da Cruz!
A Romualdo de Souza Brito, o benemérito doador da terra, deveu-se ainda as
despesas que possibilitaram o maior brilho das cerimônias daqueles oito dias de
religiosidade, de festas e de galas nas terras do Divino Espírito Santo.
24 de Março de 1860
- Freguesia
Com o crescimento da povoação, que aumentava constantemente com a chegada de
adventícios, atraídos pela uberdade do solo, trataram seus moradores de obter
a elevação do arraial a freguesia, o que ocorreu pela Lei nº 3, de 24 de Março
de 1860, sancionada pelo Dr. José Joaquim Fernandes Torres, presidente da Província.
Após a celebração da primeira missa, verificada em 27 de Dezembro de 1851, o
povoado ficou sem um padre para realizar as cerimônias litúrgicas, quando o
boiadeiro Joaquim Ruivo, conseguiu a vinda do padre José Bento da Costa, que
aqui fixou residência, sendo substituído, mais tarde pelo padre Tristão
Carneiro de Mendonça, ambos capelães. Por provisão do Bispo D. Antônio
Joaquim de Mello, de 19 de Agosto de 1857, foi nomeado primeiro cura o padre José
Mariano da Silva Macaré, sacerdote de grandes virtudes, que morreu paupérrimo
e que foi sepultado no seio da igreja, sob cuja nave descansam suas cinzas. Pela
referida Lei de 24 de Março de 1860, Pinhal foi criada paróquia de Mogi Mirim.
Em 1857, também foram nomeadas as primeiras autoridades: José Antônio de Souza
Brito, subdelegado; João Francisco Pereira, juiz de paz e José Quintino de
Toledo, inspetor de quarteirão. Não existindo cadeia para internamento dos desrespeitadores
da lei, foi construído um grande quarto no atual Largo Treze de Maio, sendo ali
instalado um tronco para tal fim, denominado esse quarto, pela população,
"Casa da Tábua".
Nessa década, 1849-1859, os colonizadores vieram de Mogi das Cruzes, terra de
Romualdo e sua família; de Bragança, para cultura de cereais, e criadores de
Minas Gerais, que estabeleceram grandes invernadas, exportando o gado para o Rio
de Janeiro, onde alcançava preços mais compensadores.
Era justo que Romualdo de Souza Brito objetivasse, com a doação ao Divino Espírito
Santo, mais um alvo: a criação de um povoado que se convertesse pelo tempo
adiante num centro agrícola, pastoril e comercial. A volição do patriarca
encontrou eco nos arcanos do destino mais depressa do que era lícito esperar. A
terra do Espírito Santo, o arraial nascente - estava escrito - tornar-se-ia em
breve mais importante que Mogi Guaçu, o magnífico entreposto da zona, banhado
pelo rio do mesmo nome, cujas margens foram habitadas em tempos remotos por
tribos de índios pescadores.
Antes mesmo daquela época, Mogi Guaçu dominava vasta gleba territorial. A situação
topográfica do lugar e as imediações do grande rio foram talvez os principais
fatores do seu progresso naquele tempo. O núcleo convertera-se num centro, onde
por diversas ramificações afluíam tropas conduzindo os produtos da região,
constituindo uma etapa necessária para os criadores de gado e para os
comerciantes de cereais desta localidade que se dispunham a colocar suas reses e
os seus produtos nas praças de São Paulo, Santos e Rio de Janeiro.
Inúmeras vezes vibrou a povoação com a partida de seus filhos em demanda do planalto e
do litoral. A partida da "bandeira" era saudada sempre com ovações
entusiásticas. Precediam-na cerimônias litúrgicas. No ar pipocavam foguetes.
O povoado despertava, em horas mortas da noite, com o frêmito do passar das
cavalgadas, com o barulho monótono do cincerro das tropas e com o gemido
langoroso dos carros de bois.
Essas viagens ficaram famosas na vida do povoado. O perigo era grande: o êxito
duvidoso. Mas que importavam às gerações que ainda sonhavam o sonho dos
bandeirantes de São Paulo as insídias do caminho?
6 de Fevereiro de 1867
- Fundação de Nova Louzã
A
nossa terra teve o privilégio de, muito antes da abolição da escravatura em
nosso país, possuir um núcleo de trabalhadores livres. E quanto ao trabalhador
escravo, um mês antes de haver a princesa D. Isabel sancionado a lei
libertadora, já havia sido abolido, nas terras do Espírito Santo, o regime da
servidão.
Ao
comendador João Elisiário Carvalho Monte Negro, português de nascimento, deve
nossa terra o esforço de criar esse núcleo, constituído de gente lusitana. O
comendador, que adquirira, em 25 de Janeiro de 1867, de Joaquim José de Campos
Silva, uma grande gleba de terra, acrescida, mais tarde, de outras, trouxe da
vila portuguesa de Louzã vinte compatriotas, que aqui chegaram no dia 6 de
Fevereiro desse ano.
Com
a chegada desses colonos, para a abertura de lavouras, foi fundada a povoação
de Nova Louzã, em homenagem àquele burgo português. Espírito progressista,
afeito ao trabalho, o comendador foi um grande incentivador da plantação da
rubiácea em nossas terras, montando, além do mais, a sua primeira máquina de
beneficiar café, a vapor, e construindo o primeiro terreiro ladrilhado para a
seca desse produto de grande importância para a economia do país.
Era
no tempo que Campinas desenvolvia intensamente a sua cultura do arbusto
africano, e que Ribeirão preto, com a aproximação da ferrovia, seguia-lhe os
passos, até tornar-se o maior município produtor de café do mundo. A lavoura
de cana de açúcar, diante da avançada triunfante da planta alienígena, cedia
cada vez mais terreno, ferida no seu poderio e na preferência que até então
lhe eram outorgados.
O
progresso da rubiácea nesta parte da Província era impressionante se
considerarmos que nos fins do século XVIII era ainda o café vendido, na cidade
de São Paulo, como medicamento, em pequenas quantidades, nas farmácias.
A
chegada do comendador Monte Negro, com seus compatriotas, foi providencial, em
virtude do recrutamento intensivo feito pelas autoridades de Mogi Mirim, de
homens de recursos, no esforço comum de enfrentar a invasão de Francisco
Solano Lopes, porque muitos moradores da freguesia haviam fugido, abandonando
seus lares e seus haveres.
Esse
êxodo durou longo tempo e só mais tarde, muito vagarosamente regressaram, pois
temiam as represálias conseqüentes da deserção, para prosseguirem no seu
labor e nos seus negócios.
Afinal
tudo se normalizou e a freguesia voltou à atividade antiga.
Deve
Pinhal ainda, a esse benemérito cidadão português, a fundação da Vila
Montenegro, grande arrabalde da cidade, verificada em 18 de Julho de 1888; a doação
em 1889 da imagem de Nosso Senhor dos Passos, à Matriz; a criação, junto com
Evaristo Ferreira Lobo, do Grêmio Português e outras iniciativas de caráter
progressista.
Faleceu,
em avançada idade, no dia 8 de Maio de 1915, legando à sua terra adotiva, uma
folha de inestimáveis serviços, merecendo a sua memória, da população
pinhalense, o maior acatamento e respeito.
9 de Abril de 1877
- Elevação a Vila e Município
Prosseguia
seguro, embora lento, o progresso da povoação. Novos moradores e novas residências
vieram juntar-se aos existentes. A não ser um ou outro acontecimento, peculiar
a todas as coletividades, nenhum fato de importância, na última década,
perturbara o sossego que existia nas terras do Espírito Santo.
É
bem certo que continuavam as questões nas divisas com a Província de Minas.
Essas questões, que só neste século foram satisfatoriamente dirimidas, eram
motivo de contínuo sobressalto dos moradores da fronteira, cujas preocupações,
desejos e dúvidas originavam freqüentes conflitos de jurisdição entre as
duas grandes províncias.
Em
13 de Abril de 1874, espelhando as preocupações dos moradores da zona
fronteiriça, os habitantes da povoação mineira de São Sebastião do Jaguari,
limítrofe da de Pinhal, requereram à Câmara Municipal de Mogi Mirim, a
demarcação das divisas, consoante representação existente na Repartição de
Arquivo de S. Paulo.
Pediam
a incorporação de suas propriedades a esta unidade do Império, sob a alegação
de que entretinham relações comerciais com as praças de São Paulo e de
Santos, que ficavam consideravelmente mais perto, para eles, de Ouro Preto, então
capital da Província de Minas Gerais, distante doze dias de viagem da sua
localidade.
Se
a vida corria calma na freguesia, no coração dos seus habitantes era ardente o
desejo de emancipação da tutela de Mogi Guaçu e de Mogi Mirim, cujos
dirigentes, à medida que esse sentimento avolumava-se, maior resistência
opunham a que se concretizasse essa legítima aspiração, temerosos que a perda
do nosso rico e fértil território afetasse, de modo profundo, o seu comércio
e a auferição das rendas públicas.
Firmes
nos seus propósitos, que o regionalismo alimentava, os pinhalenses, tendo à
frente o capitão José Ribeiro da Motta Paes, mais tarde Barão de Motta Paes,
cuja tenacidade e amor a esta terra não conheciam limites, conseguiram
finalmente a elevação da freguesia a vila pela Lei nº 17, de 9 de Abril de
1877, do teor seguinte:
"Faço
saber a todos os habitantes desta Província de São Paulo, que a Assembléia
Legislativa Provincial decreta e eu sancciono a lei seguinte:
Art. 1º - Fica elevada a Villa com as suas actuaes divisas a Freguezia do
Espirito Santo do Pinhal.
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
"
Mando, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e a execução
da referida lei pertencer que a cumpram e a façam cumprir inteiramente como
nella se contem. O secretario desta Província a faça imprimir, publicar e
correr. Dada no Palacio do Governo, em São Paulo, aos 9 do mez de Abril do
anno de 1877. Sebastião José Pereira".
As
divisas ficaram assim constituídas: Começavam na fazenda Eleutério, no lugar
denominado Estiva; seguiam pelos limites da fazenda Eleutério até o rio Mogi
Guaçu e prosseguiam por este abaixo até o rio Manso; deste com rumo à fazenda
do finado João Domingues e dessa fazenda à do Quilombo; daí seguiam a uma
ponta do ribeirão dos Porcos, na fazenda do capitão João José Ribeiro;
seguiam daí pela estrada que ia à fazenda Manteiga até o rio Jaguari e por
este acima até as divisas com a província de Minas Gerais, prosseguindo por
estas até o ponto de partida.
A
notícia da elevação das freguesia a vila, foi recebida com as maiores
demonstrações de júbilo por parte da população, que embandeirou as casas e
as ruas, manifestando ao capitão José Ribeiro da Motta Paes as maiores expressões
do seu apreço e do seu reconhecimento pela sua atuação firme e inteligente à
frente da cruzada vitoriosa.
20 de Abril de 1879
- Posse dos Primeiros Vereadores
Em 20 de Abril de 1879, em cumprimento a determinações do Governo da Província,
tomou posse a primeira Câmara Municipal de Pinhal, sendo lavrada, da
solenidade, a seguinte ata:
"Acta da posse e juramento dos Vereadores da Villa do Municipio de Pinhal e
installação da Camara Municipal da mesma Villa do Espirito Santo do
Pinhal.
Aos vinte dias do mez de Abril de mil oitocentos e setenta e nove em caza do
Capitão José Ribeiro da Motta Paes ahy presentes o prezidente já
empossado e juramentado o Capitão José Ribeiro da Motta Paes e os
Vereadores Manoel Aranha de Campos, Joaquim de Souza Moraes, Vicente Gonçalves
da Silva, Antonio Barbosa de Barros e Honorio d'Avila Pereira Soares commigo
secretario interino foi pelo primeiro declarado que de conformidade com o
decreto de vinte e dois de Julho de 1873 combinado com o decreto de treze de
Novembro de mil oitocentos e trinta e dois, com o officio do Excellentissimo
Presidente da Província de dezeseis do corrente e com o do Presidente da
Camara Municipal de Mogy Mirim de dezesete do mesmo, passava a deferir
juramento e dar posse aos Vereadores presentes não juramentados e a
installar a Villa e Camara Municipal deste Municipio do Espirito Santo do
Pinhal, que foram creadas pela lei provincial de nove de Abril de mil
oitocentos e setenta e sete que vae adeante transcripta com os limites que
após ella irão mencionados.
Effectivamente tendo os mesmos Vereadores posto a sua mão direita sobre um livro dos
Santos Evangelhos que presente estava e promettido sob juramento desempenhar
as suas funcções na forma prescripta pela lei, o mesmo presidente os houve
por juramentados e empossados e a Villa e a Camara por installada.
E para constar mandou-se lavrar o presente auto que será publicado por
editaes e pelos periodicos desta Comarca remettendo-se uma copia do mesmo ao
Excellentissimo Senhor Presidente da Província e estando a hora adeantada
foi designado amanhã as dez horas do dia para ter lugar a primeira sessão
ordinaria afim de serem nomeados os officiaes e empregados da Camara,
ordenar a arrecadação das respectivas contribuições que pertenciam a
Camara da mesma cidade de Mogy Mirim e de tudo mais que for relativo a esta
municipalidade. Do que para constar lavrei o presente auto que vae assignado
pelo presidente e vereadores commigo secretário interino o escrevi e
assigno". (Seguem-se as assinaturas).
Na sessão ordinária do dia seguinte, a Câmara nomeou seus funcionários
efetivos em seguida mencionados? José Polycarpo de Almeida Queiroz, secretário;
Theodoro Franco, procurador; Optuciano José de Sydnaid, fiscal, e Joaquim
Germano Xavier, porteiro.
Também na mesma sessão foram designados os vereadores Lúcio Ribeiro da Motta, Honório
d'Avila Pereira Soares e Joaquim de Souza Moraes para elaborarem as posturas
municipais.
Decorridostrinta anos da doação de Romualdo, nossa terra iniciava uma nova fase da sua
existência, emancipando-se da tutela que, em virtude do trabalho e do
progresso que seus filhos haviam desenvolvido, não mais se justificava.
8 de Maio de 1881
- Criação da Comarca do Espírito Santo
Em 1876, contava a paróquia do Divino Espírito Santo com 13 eleitores. Segundo a
lei eleitoral vigente, os grupos de 400 brasileiros de qualquer sexo ou condição
davam um eleitor, podendo-se atribuir à comarca de São José de Mogi Mirim,
inclusive Nossa Senhora da Conceição de Mogi Guaçu e Divino Espírito Santo
do Pinhal, 20.000 habitantes.
Nesse ano, visita a fazenda Nova Louzã, recebido com grandes manifestações, o
Imperador D. Pedro II.
Com a criação da vila e do município em 1877, instalou-se o juízo municipal, sob
a presidência do Dr. Paulino Cyrilo Leão da Silveira, médico, servindo de
escrivão Joaquim de Almeida Vergueiro, chefe de ilustre família pinhalense. O
primeiro inventário processado foi o de Francisco Pires de Campos, tendo como
inventariante Benjamin Marcondes de Lima.
Em 1879, era vigário da paróquia o padre Dr. José Daniel de Carvalho Monte
Negro, sacerdote de grandes virtudes e muito estimado dos seus paroquianos.
Tendo sido transferido para Penha do Rio do Peixe, hoje Itapira, segundo
determinação dos altos poderes eclesiásticos, a Câmara Municipal, por delegação
do povo, solicitou e obteve de D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo
Diocesano, a revogação do ato, enchendo de grande júbilo a população.
Até o ministério deste virtuoso cura de almas e a partir da morte do padre José
Mariano da Silva Macaré, exerceram o sagrado ministério nesta paróquia os
seguintes sacerdotes: Francisco Saraiva de Miranda, Francisco Cândido Correa e
José Joaquim do Prado.
Prosseguindo na sua existência autônoma, foi empossada em nossa terra, em princípios de
Janeiro de 1881, nova edilidade, constituída dos seguintes cidadãos: Joaquim
Thomaz de Oliveira Tito, presidente; Carlos Leopoldo de Araújo Cunha, Luiz
Bernardes Staut, José Theodoro Garcia, Amando Soares de Abreu Caiuby, Francisco
Pinto da Fonseca e Manoel Luiz Ribeiro.
A lei nº 62, de 28 de Maio de 1881, sancionada pelo Presidente da Província,
senador Florêncio Carlos de Abreu e Silva, criou a comarca do Espírito Santo,
com o município do termo da Penha do Rio de Peixe, hoje Itapira. A comarca foi
instalada em 1883 nesta última localidade e ali funcionou até 1892, quando,
pela lei nº 80, de 25 de Agosto de 1892, Itapira instalou sua própria comarca.
Esse estado de coisas, evidentemente anormal, embora provocasse natural
descontentamento da população, foi admitido pela Câmara de Pinhal que, em
sessão de 7 de Outubro de 1883, recebeu e aceitou o oferecimento de Manoel
Teixeira Rolla para abrilhantar, com a sua banda de música, a solenidade da
instalação da comarca de Itapira.
A instalação, que se verificou dia 30 de Outubro de 1883, atendendo ao convite
feito pela Câmara Municipal de Itapira, enviou a Câmara de Pinhal uma comissão
composta de três membros, Vicente Gonçalves da Silva, José Theodoro Garcia
Leal e Francisco Bernardes de Oliveira Mineiro, para representá-la.
Ato de flagrante injustiça esse, com o qual os pinhalenses não podiam
conformar-se, tanto que, em sessão realizada no dia 20 de Fevereiro de 1888, o
vereador Luiz Bernardes Staut formulou veemente protesto, solicitando à Câmara
que representasse ao Governo no sentido de ser transferida a sede do poder
judiciário para Pinhal, como era de direito, o que só se realizou, consoante
foi dito, em 1892, em 12 de Outubro.
10 de Março de 1883
- Elevada a Vila do Espírito Santo a Categoria de Cidade
A vila do Espírito Santo foi elevada à categoria de cidade pela lei nº 14, de
10 de Março de 1883, sancionada pelo conselheiro Francisco Soares de Carvalho
Brandão, presidente da Província.
Em conseqüência foram nomeados juiz municipal togado o Dr. Paulo Machado Florence
e primeiro escrivão de hipotecas José Lourenço de Sá.
Também foi empossada nesse ano a Câmara destinada a servir até 1886, constituída dos
seguintes edis: José Ribeiro da Motta Paes, presidente; José Theodoro Garcia
Leal, Joaquim Cyriaco Ribeiro, Manoel Aranha de Campos, Joaquim de Almeida
Vergueiro, Vicente Gonçalves da Silva e Francisco Bernardes de Oliveira
Mineiro.
A nova denominação dada à vila do Espírito Santo revelava a sua importância,
atestava o seu progresso. Verificava-se a sua elevação à categoria de cidade
um lustro apenas após a sua elevação a vila, ocorrida em 9 de Abril de 1877.
É interessante saber que até 3 de Abril de 1849, apenas oito eram as cidades
paulistas, exclusive a capital: Santos, Taubaté, Itu, Campinas, Sorocaba,
Guaratinguetá, Paranaguá e Curitiba (estas duas últimas desmembradas da Província
de São Paulo em 1853, ao criar-se a Província do Paraná).
Por lei de 3 de Abril de 1849, mais cinco cidades juntaram-se às existentes: Nossa
Senhora da Conceição de Jacareí, Nossa Senhora do Bom Sucesso de
Pindamonhangaba, Senhor Bom Jesus do Livramento de Bananal, Senhor Bom Jesus da
Ribeira (Iguape) e São José de Mogi Mirim, a cuja jurisdição pertencia a
nossa terra.
O retalhamento do país processava-se lento. O território de Mogi Mirim, ao ser
elevado a freguesia, em 1751, estava anexado ao território do Rio de Janeiro
(1750 a 1765) e, em conseqüência, também ao nosso território.
Em 10 de Março de 1883, a nossa comarca continuava em Itapira, e assim continuaria
até 1892, apesar da promulgação do Decreto nº 94, de 26 de Dezembro de 1889,
que declarava que a comarca criada funcionaria, de então por diante, com o
termo do Espírito Santo.
Da instalação da comarca de Itapira, realizada em 30 de Outubro de 1883, existe a
seguinte ata:
"Neste acto compareceu o juiz municipal primeiro supplente em exercicio Joaquim
Augusto Gomes da Cunha, recebido com as formalidades do estylo tomando assento
na cabeceira da mesa, leu o acto official que designou o dia de hoje para a
instalação da comarca e depois transmitida a jurisdicção de juiz municipal
ao vereador Manoel da Rocha Campos Cardoso assumiu a jurisdicção plena de
juiz de direito da comarca, dando posse ao promotor nomeado, Dr. José Joaquim
de Moraes e declarou installada a mesma Comarca providenciando sobre a
installação do Registro de Hypothecas (a cargo do official interino Joaquim
Augusto Gomes da Cunha) e sobre os dias das audiencias e mais formalidades,
sobre a publicidade da instalação official, o que tudo assistiu a camara em
corporação reunida à commissão da camara municipal da cidade de Espírito
Santo do Pinhal, Tte. Vicente Gonçalves da Silva, alferes José Theodoro
Garcial Leal e Francisco Bernardes de Oliveira Mineiro".
A elevação a comarca, com funcionamento junto ao termo de Itapira, forçoso é
ainda notar, que se de uma parte dava à população da nova cidade do Espírito
Santo do Pinhal, a autonomia ambicionada, de outra parte submetia-a a severas
contingências de tempo e de espaço, ferindo-a na sua economia, no seu amor próprio
e na sua independência política.
16 de Abril de 1888
- Libertação dos Escravos
Complemento natural da abolição da escravatura em nosso país foi a Proclamação da República.
Estes dois acontecimentos vieram consolidar a nossa independência proclamada no
dia 7 de Setembro de 1822, nas margens do Ipiranga.
Esta sucessão de fatos, de relevante importância para a vida política, econômica
e espiritual do Brasil, trouxe um corolário de bens de valor incalculável: a
emancipação da tutela portuguesa, que já se nos fazia pesada; a abolição da
escravatura, que enodoava os nossos foros de povo civilizado; a substituição
de um regime que, maduro na filosofia das nações, vinha sendo varrido do mundo
político desde o advento da Revolução Francesa.
O país todo ansiava, a despeito da veneração que tributava ao velho Imperador,
o ilustrado D. Pedro II, por um regime de liberdade e de fraternidade. Apesar de
muitos pinhalenses terem sentido a irradiante influência desse ancião de
longas barbas brancas, por ocasião da visita que fez à fazenda Nova Louzã, em
16 de Setembro de 1876, os adeptos do governo republicano tornavam-se cada vez
mais numerosos, pregando abertamente os postulados do regime criando em 15 de
Novembro de 1889.
O Dr. José de Almeida Vergueiro, grande abolicionista, na memorável sessão da Câmara
verificada em 7 de Janeiro de 1888, propôs à edilidade oficiasse aos
lavradores do município, convocando uma reunião para o dia 2 de Fevereiro,
quando seria tratada a libertação dos escravos existentes, em número de 1035.
A reunião teve lugar no dia mencionado, obtendo a proposição a aquiescência de
todos, ficando marcado para 16 de Abril de 1888 para a proclamação da libertação
dos escravos existentes no município de Pinhal.
No dia 16 de Abril de 1888, grandes festejos populares comemoraram o magnífico
acontecimento que se verificava precisamente vinte e oito dias antes da abolição
da escravatura em nosso país, vinte e oito dias antes que a princesa D. Isabel,
a Redentora, sancionasse a lei abolindo no Brasil o regime da servidão.
O ato de D. Isabel, de grande relevância, marcou para sempre o ocaso do Império.
Se não tremeram os agricultores de Pinhal, sacrificando os seus interesses em
favor da liberdade dos escravos, também não tremeu a augusta não que assinou
a lei libertadora, porque as cenas da escravidão com seus horrores e as idéias
liberais em marcha já haviam sentenciado a morte da monarquia no Brasil.
Em maio de 1888, após o dia da abolição, o vereador Luiz Bernardes Staut,
justificando uma indicação no sentido de ser dada a denominação de "Barão
da Motta Paes" a uma das vias da cidade, proferiu na Câmara um longo
discurso, que assim terminava:
"... o Exmo. Sr. Barão da Motta Paes foi o primeiro que, entre nós, restituiu
imediatamente a liberdade aos seus numerosos escravizados, arrastando consigo a
sua numerosa família e numerosos amigos; e tudo fazendo para que se proclamasse
no dia 16 de Abril do corrente ano a libertação total do nosso município. Se
ele tanto fez e se a ele tanto devemos, é justo que provemos a nossa gratidão dando
à rua da Independência o nome de - Rua Barão da Motta Paes".
E assim foi feito.
1º de Outubro de 1889
- Inauguração da Estrada de Ferro
Mil oitocentos e oitenta e nove...
Em15 de Novembro de 1889 em virtude de um pronunciamento militar chefiado pelo
marechal Deodoro da Fonseca, caiu a Monarquia. Não obstante, não fosse o gênio
luminoso de Rui Barbosa a amparar o regime nascente, este não teria subsistido.
A causa é encontrada na circunstância de que o regime monárquico caiu, no
Brasil, com a dignidade ilesa e com a consciência tranqüila por ter deixado o
país em grande prosperidade, com sua moeda altamente valorizada e no gozo de
merecido prestígio no concerto das nações.
A Monarquia era o passado, todavia, a República o presente e o porvir,
representando o movimento operado em 15 de Novembro de 1889 o dealbar de uma
nova era.
Um mês e pouco antes, em 1º de Outubro de 1889, depois de exaustivos trabalhos de
terraplanagem, do estudo de raios de curvas e contra-curvas, do estudo da
grandeza das declividades, do preparo de aterros e trincheiras, do
estabelecimento de travessas e cruzamentos de nível, dos balastros, da construção
de pontes e estações, através de campos e matas, chegava a primeira
locomotiva à cidade de Pinhal.
Em 1876, por ocasião da visita do Imperador D. Pedro II à povoação de Nova Louzã,
os trilhos terminavam pouco além de Mogi Guaçu. Sua Majestade teve que fazer
de trole o percurso do ponto terminal até Nova Louzã, onde o esperavam o
comendador Monte Negro e os pinhalenses que foram receber o velho Alcântara.
Pioneira do progresso, a Estrada de Ferro Mogiana trazia, pela primeira vez à nossa
cidade, a locomotiva a vapor - glória de José Cugnot, Blackett e Stephenson -
entre pipocar de foguetes, músicas e flores, fazendo soar pela primeira vez o
seu apito, que se perdeu, entre ressonâncias, nas fraldas das colinas e nas
quebradas das serras, anunciando aos habitantes da cidade, reunidos na
plataforma da estação, o raiar de uma nova era.
Os dois acontecimentos - a proclamação da República e a inauguração da estrada
de ferro - de grande significação para os pinhalenses, tinham numerosas
afinidades entre si, ressaltando entre estas o ensaio dos primeiros passos no
caminho do progresso, a luta que ambos iriam empreender em prol de um S. Paulo
grande dentro de um Brasil maior.
Só em 1850, quando Pinhal nasceu, teve início o assentamento dos trilhos no
Brasil. Até 1889, o Império havia assentado 10.000 quilômetros de caminhos de
ferro. Na República, até 1930, foram assentados 23.000 quilômetros.
Para a época, o prolongamento dos trilhos até Pinhal, representava um grande feito.
Hoje, nesse sentido, um grande feito seria, por exemplo, a abertura de um túnel
sob o Canal da Mancha ou sob o Monte Branco, em face dos progressos da ciência
e da técnica.
Estávamos nos albores da mecanização, ainda não havia o conceito da humanização da máquina,
nem mesmo as perspectivas que nesse setor do progresso humano tanto se
conseguiu.
Pinhal muito deve à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro pela criação desse
importante melhoramento que possibilitou o escoamento mais rápido de toda a sua
produção, possibilitando ainda a entrega, aos consumidores do melhor café do
mundo, aqui colhido, sob as auras benfazejas da Serra da Mantiqueira, salubres e
puras.
Pinhal muito deve à Mogiana, repetimos. Este ramal, cujos obreiros, verdadeiros artífices
do progresso, despenderam durante sessenta anos o melhor dos seus esforços e
das suas energias em benefício do nosso torrão, deve ainda hoje que, por razões
técnicas, não corresponde ao dinamismo espetacular dos nossos dias, merecer o
nosso apoio e a nossa gratidão, por ter cooperado conosco, de maneira considerável,
na obtenção do nosso prestígio e da nossa riqueza.
O progresso de Espírito Santo do Pinhal prosseguia em franco desenvolvimento. Em
1885, a população acusava 9.000 habitantes e existiam, em construção 80 prédios.
A lavoura de café desenvolvia-se com exuberância. A derrubada das matas, para
novas plantações, marchava célere, contribuindo Pinhal, com grande parcela,
para a riqueza da Província e do Império.
Dois anos depois, em 1877, a colheita de café foi de 250.000 arrobas. Os galhos dos
arbustos africano vergavam ao peso dos grãos vermelhos, cor de sangue, frutos
que representavam ingentes sacrifícios, intensos labores. As floradas desse ano
cobriram, qual imenso sudário, as encostas, as colinas, e os pendores das
serras de todo o município, tendo por fundo horizontes rosicleres, os nossos
horizontes.
Nesse ano foi empossada a nova Câmara constituída dos seguintes edis: Lúcio Ribeiro
da Motta, presidente, Antônio Augusto dos Santos Oliveira, Luiz Bernardes
Staut, Carlos Leopoldo de Araújo Cunha, Victoriano Antônio Villas Boas, Manoel
da Silva Barreto, Dr. José de Almeida Vergueiro, José Antônio de Oliveira
Santos e José Felippe do Amaral.
Surgiu também, nesse ano, o primeiro número de "O Pinhalense", sob a direção
de Antônio Raposo de Almeida, advogado provisionado.
O ano de 1888 assinalou o registro dos acontecimentos já referidos sobre a
libertação dos escravos pinhalenses e a abolição da escravidão no Brasil. Assinalou
esse ano, a chegada dos primeiros imigrantes italianos, que tanta ajuda
trouxeram à cafeicultura de Pinhal e à agricultura de toda a Província.
Realizou-se também a 15 de Março, a benção do nono cemitério e a 18 de Julho a fundação
da Vila Montenegro, grande arrabalde da cidade, circulando ainda o primeiro número
da "Gazeta de Pinhal", dirigida por Felix Vieira Cortes.
Em 1888 funcionavam no município os seguintes profissionais: Médicos - Drs. José
de Almeida Vergueiro, Carolino Ferreira da Silva e Paulino Cyrillo Leão da
Silveira. Professores públicos - Antônio da Cruz Menezes, Joaquim Serapião
Funchal e D. Ana Cândida de Oliveira Salles. Advogados - Dr. Felizardo Pinheiro
de Campos Müller e os provisionados Antônio Raposo de Almeida, Manoel Maria de
Castro Camargo e Manoel Carlos de Moraes Pessoa. Funcionava ainda um colégio
particular sob a direção de João Elias Ferreira do Amarante.
A semana santa de 1889 e a proclamação da República assinalaram grandes
festividades, inaugurando-se na matriz as imagens do Nosso Senhor Morto, doada
pelo Cel. Joaquim Leite de Souza, de Nosso Senhor dos Passos, pelo comendador
Monte Negro, e de Nossa Senhora das Dores, pelo major Américo de Almeida
Vergueiro.
A Câmara constituída em 1887 deixou o poder em 20 de Janeiro de 1890, sendo
substituída pelo Conselho da Intendência, nomeado após a proclamação da República
e composto dos cidadãos Ernesto de Faria, presidente; Arthur de Lima, Vicente
Gonçalves da Silva e Francisco Xavier Ribeiro.
Surgiram dois novos jornais: em 1891, o "Correio d'Oeste", redatoriado por
Miguel Virginio até 1892, e a 3 de Julho, a "Cidade do Pinhal", sob a
direção e redação do Cap. Amando de Almeida Vergueiro e Antônio Tomaz
Pacheco Lessa.
Dois fatos importantes ocorreram em 1892; a instalação da comarca, em 12 de
Outubro, criada em 1881 e que vinha funcionando em Itapira e a posse da primeira
câmara republicana, empossada em Setembro de 1892, constituída dos seguintes
cidadãos: Vicente Gonçalves da Silva, Dias Ferreira, Leocádio de Faria,
Amando Vergueiro, Honório Soares, Francisco Rosas e Alberto Florence.
Foi o primeiro juiz de Direito o Dr. Fabiano Augusto Nogueira Porto e promotor público
interino Porphirio Florindo Coelho, mais tarde substituído pelo Dr. Abelardo
Cerqueira César, futuro deputado e senador.
12 de Março de 1898
- Inauguração da Luz Elétrica
Espírito Santo do Pinhal continuava progredindo. A lavoura de café formava verdadeiro
oceano de arbustos e de folhas, que ondeava ao sopro da brisa. Em 1893, a população
era superior a 16.000 habitantes, contando a cidade quase 550 prédios. Existiam
quatro escolas providas, um colégio sob a direção do professor Curiácio Ávila
e uma escola particular dirigida pelo professor Antônio Alexandre Alves e pelos
professores de música D. Francisca Adelaide de Campos, Fortunato de Paula
Campos e Rodrigo da Silva Campos. Existia também a Associação da Imprensa
Pinhalense, presidida pelo Cel. Francisco Xavier Ribeiro.
Sob o comando também do Cel. Francisco Xavier Ribeiro, funcionava, em 1893, a
Guarda Nacional, composta dos 35º e 89º Batalhões de Infantaria e 60º
Regimento de Cavalaria, vivendo ainda alguns dos seus integrantes.
É a seguinte a seqüência dos acontecimentos verificados em nossa terra a partir
da instalação da comarca até 12 de Outubro de 1898, data da inauguração da
luz elétrica em Pinhal:
Em 1893, posse da Câmara, para servir até 1895, integrada por Vicente Gonçalves
da Silva, presidente; Honório d'Ávila Pereira Soares, Antônio José Dias
Ferreira, Sabino Bueno Ribeiro, Alberto Florence, Francisco Antônio Rosas,
Amando de Almeida Vergueiro, Dr. Carolino Ferreira da Silva e Leocádio Gomes de
Faria. 25 de Março - Fundação do Hospital "Francisco Rosas".
Para o período 1896-1898, a Câmara foi constituída dos seguintes cidadãos:
Vicente Gonçalves da Silva, presidente; Amando de Almeida Vergueiro, Honório
d'Ávila Pereira Soares, Dr. José Silvestre Machado Júnior, Benedito Olegário
Bueno, Jacob Worms, Randolfo Agostinho Ribeiro e Alberto Florence.
27 de Agosto de 1897 - Inauguração do Grupo Escolar "Dr. Almeida
Vergueiro", instalado, em caráter provisório, em dois prédios alugados;
28 de Novembro de 1897 - Terminada a construção do edifício do Grupo Escolar
"Dr. Almeida Vergueiro", passou a funcionar nessa magnífico prédio.
24 de fevereiro de 1898 - Publicação do primeiro número do jornal "A
Regeneração", sob a direção do professor Artur Rio Vez.
A eletricidade - já observaram vários historiadores - é um departamento científico
muito antigo. Thales de Mileto (640-546 A.C.) conhecia a propriedade de atração
do âmbar. Theophrasto (321-287 A.C.) combatia essa exclusividade, para estendê-la
a outros corpos.
No século XVII, Guilherme Gilbert lança nova luz sobre o assunto. Robert Boyle,
Newton, Cardan, Otto Von Gueriche, Canton, Hawksbee trabalhavam e dão as regras
da eletrização da superfície dos metais.
No século XVII grandes progressos se verificam. Stephen Gray observa que a força
elétrica pode ser transportada a grande distância por meio de um barbante ou
de outros corpos, descobrindo a condutividade elétrica. Vem em seguida a
descoberta de duas espécies de eletricidade: a positiva e a negativa.
Benjamin Franklin sustenta nos Estados Unidos a teoria uni-fluídica, descobrindo o pára-raios.
Surgem Coulomb, Olm, Faraday, Cavendish, Galvani, Volta e muitos outros que
fazem a eletricidade marchar a passos de gigante para a conquista do futuro.
Em nossa terra não foi admitida com facilidade. O receio, em virtude dos perigos
que oferecia, era grande. Lidava-se com o desconhecido. Muito tempo depois, no
interior das residências e dos estabelecimentos comerciais ainda fumegavam as
velas de sebo, as lamparinas a óleo e os lampiões a querosene, enquanto nas
ruas fulgurava uma luz, antes vermelha e mortiça e depois clara e brilhante,
como a que temos agora.
Em 12 de Março de 1898 estava inaugurada a iluminação elétrica em Pinhal, essa
grande conquista do gênio humano, entre festas e regozijos populares.
1º de Janeiro de 1902
- Inauguração do Serviço de Abastecimento de Água
A par do progresso que se manifestava na sua vida pública, os acontecimentos
sucediam-se em todos os setores da atividade da gente de Pinhal.
Assim, 3m 15 de maio de 1898 foi instalado o Colégio Andrade, sob a direção da
professora D. Rita de Andrade; nas noites de 21 e 22 de maio de 1898,
inaugurando a primeira temporada lírica realizada na cidade, a Companhia
Verdini levou à cena as óperas "Barbiere de Sevilha",
"Cavalleria Rusticana" e "Noite do Castello", esta última
do nosso compatriota Carlos Gomes; 3m 24 de Junho do mesmo ano foi fundado o Grêmio
Português, por iniciativa de Evaristo Ferreira Lobo, tendo como presidente
honorário o comendador Monte Negro e a seguinte diretoria: presidente, Inácio
E. Gonçalves; vice, Evaristo F. Lobo, 1º e 2º secretários, Francisco Soares
Albergaria e Antônio Ferreira Lobo, procurador e tesoureiro, José André da
Camara.
Foi de luto e de grande mágoa o dia 30 de Outubro de 1898, que registrou o
passamento do deputado Dr. José de Almeida Vergueiro, eminente homem público,
cujos esforços em prol da nossa evolução consagraram-no para a posteridade.
Para servir em 1901 foram empossados os seguintes edis: Dr. José Silvestre Machado Júnior,
Antônio Pedro de Araújo Pimentel, Manoel José da Silva Barreto, Joaquim Leite
de Souza, Lúcio Ribeiro da Motta, Faustino Alcântara Pereira e Silva, Honório
d'Ávila Pereira Soares, Dr. Abelardo de Cerqueira César e João Pio Ribeiro.
Outro falecimento ocorrido em 1901, que causou grande consternação à população
pinhalense , foi o do Cel. Vicente Gonçalves da Silva, que, por mais de seus
lustros, vinha dedicando grande parte das suas atividades em benefício da nossa
terra e da nossa gente.
Em 13 de Maio de 1901 foi fundada a corporação musical "Amadores da
Arte", por iniciativa de Firmino Carlos da Silva e Alfredo da Silva Barreto
e, em 18 de Agosto do mesmo ano a população católica de Pinhal fez colocar na
sacristia da Matriz o retrato do cônego Núncio Grecco, em homenagem a este
virtuoso sacerdote.
Até este último e depois do padre Dr. José Daniel de Carvalho Monte Negro,
exerceram o sagrado ministério na paróquia o padre Nicolau Bonifácio, padre Tertuliano
Villela de Castro, Monsenhor Antônio Pereira Reimão e padre João Paulo
Roberto.
Logo após o primeiro cinqüentenário da sua fundação, em 1º de Janeiro de 1902
Pinhal conseguiu, mercê do esforço de seus filhos, um melhoramento de grande
importância para a saúde de seus habitantes: a rede de abastecimento de água.
O sistema de fossas e de cisternas existente na época em quase todas as
localidades do Brasil, oferecia largo campo à proliferação das verminoses,
com real prejuízo para a saúde pública. outras moléstias de caráter epidêmico
surgiam temporariamente, roubando vidas preciosas. O combate a esses surtos
tornava-se extremamente difícil em virtude dos fatores apontados que
propiciavam o seu desenvolvimento.
Apesar da sua excelente topografia e dos seus ares oxigenados, que sopram das montanhas
circundantes, o estado sanitário da cidade era bastante prejudicado por esse
sistema, ao qual deve ser acrescida a falta de pavimentação das ruas, em cujos
sulcos, formados pelas carroças, carros de boi e outros veículos de tração
animal, a água empoçava na época das chuvas.
O abastecimento de água e, mais tarde, a pavimentação das ruas centrais, vieram
melhorar consideravelmente o estado sanitário da cidade, considerado ótimo em
face da natureza de Pinhal, mas que grandemente piorara com o seu crescimento
por razões técnicas.
Em 1º de Janeiro de 1908, no afã de maior aperfeiçoamento nesse setor da saúde
pública, foi inaugurado novo serviço de água potável, contribuindo ainda
mais para a higiene de Pinhal e da sua população.
23 de Agosto de 1902
- Pronunciamento Monárquico A Monarquia vinha desde os tempos da descoberta, tendo criado raízes profundas. O
último reinado, representado por um monarca bom e complacente, amigo das letras
e das artes, fora bem longe e deixara o país em grande prosperidade, com sua
moeda altamente valorizada. na parte social e política, a distribuição de títulos
nobiliárquicos, posições e terras, fortalecera a oligarquia reinante, que
cada vez mais se via prestigiada pelos seus beneficiados diretos e indiretos.
Alguns erros cometidos no início do regime republicano, oriundos da confusão que se
estabeleceu e a crise econômica então surgida, em virtude da abolição da
escravatura, trouxeram descontentamentos e feriram os interesses de uns e a posição
de outros.
O paralelo entre essa situação e a anterior, que se afigurava melhor, levou um
grupo de brasileiros a organizar um plano revolucionário, tendo em vista a
restauração da monarquia e da dinastia reinante.
Esse movimento, cuja eclosão foi marcada para o dia 23 de Agosto de 1902, tinha
ramificações em todo o pais, contando em nossa terra com forte apoio.
Circunstâncias imprevistas, porém, determinaram o adiamento da execução ou o fracasso do
plano e, por falta de comunicação, por terem talvez as autoridades da República
descoberto a trama, os monarquistas do nosso município e os de Ribeirãozinho,
hoje Taquaritinga não foram cientificados dessa ocorrência.
Não recebendo ordens em contrário, no dia 23 de Agosto de 1902 foi proclamada a
monarquia em Espírito Santo do Pinhal, sendo depostas as autoridades constituídas
e formado um governo local, que estabeleceu providências para a resistência e
continuação do movimento, na suposição que a revolta houvesse irrompido nos
outros pontos combinados, principalmente nas capitais.
O Dr. Otávio Afonso de Mello, juiz de Direito, valorosamente resistiu à sua
deposição, sendo posto num trem e mandado para Mogi Mirim, segundo uns,
despachando um próprio para transmitir um telegrama ao Governo em estação do
município de Itapira, burlando a vigilância dos revolucionários, segundo
outros.
O que parece mais verdadeiro e pitoresco é o que nos refere Manoel Francisco
Boleiro na "A Folha" de 7 de Março de 1943:
"Conta-se que o escrivão de Polícia de Pinhal, João Lopes, ao ver a revolta
triunfante, conseguiu transportar-se para Mogi Mirim e de lá, depois de
comunicar-se com os maiorais da cidade, passou o seguinte telegrama ao Dr. José
Cardoso de Almeida, chefe de Polícia; "Coisas pretas, meti cara".
A chegada de João Lopes a Mogi Mirim - conta o eminente jurisconsulto Ministro
Costa Manso, então advogado dos auditórios daquela comarca - com notícias tão
graves e notadamente por afirmar que os revoltosos pinhalenses se encaminhavam
para invadir aquela cidade vizinha, provocou um movimento de defesa dos mogimirianos, que se aprestaram para impedir uma possível entrada dos
insurretos.
Na realidade, os revolucionários não chegaram a partir de Pinhal, embora já
tivessem ocupado a estação ferroviária, quebrando, segundo nos refere o
mesmo Manoel Francisco Boleiro, o aparelho do telégrafo, por não poderem, de
outra maneira, fazê-lo silenciar..."
Diante dos graves acontecimentos que se verificavam, o Governo do Estado convidou o Dr.
Abelardo C. César, que se encontrava em S. Paulo, para dirigir-se a Pinhal,
onde gozava de grande influência, a fim de sufocar o movimento. Acompanhava-o
um destacamento militar, composto de 80 praças, chefiado pelo delegado
auxiliar, Dr. José Roberto Penteado.
Essa força não chegou a dar um único tiro, ficando estacionada em Mogi Mirim,
porque os revolucionários, percebendo que haviam ficado sozinhos, depuseram as
armas, entregando-se uns e dispersando-se outros, após 36 horas da eclosão do
movimento.
Pinhal voltou imediatamente à normalidade, efetuando o Dr. Adolfo Greff Borba, que
aqui viera como interventor, a prisão dos chefes Dr. Haddock Lobo, José
Ribeiro de Oliveira Motta, barão da Motta Paes e Dr. Carolino F. Silva, mais
tarde postos em liberdade.
Decorrido o tempo e consolidado o regime, alguns dos monarquistas de 1902 aderiram à República,
prestando relevantes serviços ao país e à causa republicana.
1º de Janeiro de 1909
- Inauguração do Jardim
Público da Praça da Independência
1903 - 16 de Abril - Publicado o primeiro número da "Gazeta de Pinhal",
dirigida pelo cap. José Lourenço de Sá.
A Câmara designada para servir no triênio 1905-1907 era constituída dos cidadãos
Joaquim Leite de Souza, Joaquim de Almeida Vergueiro, Carlos Gonçalves
Teixeira, Sabino Bueno Ribeiro, Policarpo Aureliano de Almeida, Antônio Tomaz
Pacheco Lessa, Evaristo Domingues de Alvarenga e Aureliano Gonçalves da Silva.
1906 - 17 de Julho - "A Gazeta de Pinhal" é substituída pelo "O
Pinhalense", redigido pelo cap. Antônio Tomaz Pacheco Lessa e sob a direção
do jornalista Laurindo de Azevedo Marques; 25 de Outubro - Dada concessão a
Peregrino Ferrari e Ricardo Benthener para instalação do serviço telefônico
na cidade de Pinhal e seu distrito.
1907 - 28 de Fevereiro - Grande explosão numa fábrica de fogos, situada à Rua
Floriano Peixoto, com a destruição do prédio e morte do fogueteiro Antônio
Gonçalves; 30 de Junho - Grande manifestação popular ao padre Guilherme
Landell de Moura, mais tarde monsenhor, sendo colocado seu retrato na sacristia
da igreja Matriz; 10 de Agosto - É levada à cena, com grande sucesso, pela
Companhia Ferreira da Silva, a revista "O Pinhal de 1898" ou "O
Diabo na Cidade", de autoria do jornalista Laurindo de Azevedo Marques; 31
de Dezembro - Inauguração oficial do novo mercado.
A Câmara para servir no triênio 1908-1910 compunha-se dos seguintes cidadãos:
Joaquim Leite de Souza, presidente; Antônio Tomaz Pacheco Lessa, Artur de
Almeida Vergueiro, José Ribeiro de Oliveira Motta, José Eduardo de Araújo
Carvalho, Paulino de Souza Pinto, João Teixeira Branco, Rafael Flores e Emídio
de Oliveira Leite.
1908 - 1º de Janeiro - Inauguração da nova captação de água potável e serviço
de esgotos; 10 de Setembro - Grande manifestação de apreço promovida pela
população pinhalense ao cap. Antônio Tomaz Pacheco Lessa, Prefeito Municipal,
pela sua operosa atuação à frente do executivo; 22 de Setembro - Instalado o
Posto Policial de Santo Antônio do Jardim; 29 de Setembro - Fundidas as corporações
musicais "Amadores da Arte" e "Lyra de Euterpe", resultando
dessa fusão a "Liga Musical Pinhalense". Aparece também nesse ano a
"Tribuna Popular", dirigida por Artur Rodrigues da Silva.
Em 1909 a cidade de Pinhal contava com 6.900 habitantes e o município com 25.000.
Cada vez mais o município via-se enriquecido com a vinda de imigrantes
estrangeiros, nesse tempo portugueses, para os trabalhos da agricultura, após
haver recebido fortes contingentes de trabalhadores italianos, destinados à
lavoura cafeeira que, como no passado, no tempo do braço escravo, sustentavam a
maior riqueza do Brasil.
Em 1º de Janeiro de 1909, entre festas, foi inaugurado o Jardim Público da Praça
da Independência, e um coreto, oferta do Dr. Mendes Gonçalves. A Comissão
incumbida dos trabalhos era composta dos seguintes senhores: Carlos Duarte Cruz,
Viriato R. Mendes, Joaquim Leite Júnior, Artur de Almeida Vergueiro, Cel. José
Ribeiro da Motta Sobrinho, João Mendes de Souza e Dr. Mário de Azevedo.
Esse grande melhoramento urbano foi o primeiro, na espécie, a ser inaugurado na
cidade. Mas tarde a cidade, em diferentes épocas, foi aquinhoada com mais os
seguintes: o do Largo 13 de Maio, o da Praça Rio Branco, o do largo da Santa
Cruz, o da Praça Cândido Rodrigues e, finalmente, o da Praça D. Sebastião
Leme.
O jardim da Praça da Independência tem sofrido modificações depois da inauguração.
A última, que ainda se processa, no operoso governo do Sr. Antônio Costa, tem
a ornamentá-la, junto com o busto do cardeal D. Sebastião Leme, ilustre filho
desta terra, e com o obelisco levantado em homenagem aos fundadores da cidade, a
fonte luminosa, que elevando aos céus jactos de água multicor, dá ao jardim
magníficas nuances e singular encanto.
Nota da redação: a última reforma da Praça da Independência foi realizada
por volta de 1994/95 na gestão do Prefeito Luiz Gonzaga Pinto, que urbanizou e
refloriu a praça, além de restaurar a belíssima fonte luminosa.
8 de Novembro de 1909
- Criação do Distrito de Santo Antônio do Jardim
1909 - 1º de Janeiro - Circula o primeiro número da "Gazeta de Férias",
dirigida por Samuel Baccarat; 6 de Janeiro - Fuga de 11 sentenciados da cadeira
local; 2 de Abril - Surge "II Progresso", folha dirigida em italiano
por Roberto Capri; 11 de Setembro - Inauguração do Teatro Rink Pinhalense; 12
de Setembro - Visita pastoral do Bispo Diocesano D. Alberto Gonçalves; Surge a
"Revista do Pinhal", dirigida por Artur Rio Vez, Dr. Eduardo Teixeira
Júnior e Abrahão Leite.
1910 - 16 de Abril - Inaugura a "Empreza Pinhalense de Electricidade" novas
instalações e maquinismos; 5 de Maio - Deliberada, em reunião promovida pelo
Prefeito Municipal, a fundação de um ginásio, tendo o comendador Monte Negro
oferecido para esse fim um terreno na Vila que tem o seu nome; 1º de Agosto -
Fundada a Linha de Tiro local, sob a presidência do Capitão do Exército
Epaminondas T. Barreto; 7 de Setembro - Inauguração do "Teatro Recreio
Pinhalense", de propriedade do Cap. Manoel Joaquim Gonçalves. Este teatro
também teve a denominação de "Pavilhão Santa Clara"; 13 de
Setembro - Inauguração do novo matadouro.
1911 - 17 de Fevereiro - Grande temporal desabou sobre a cidade, ocasionando notáveis
prejuízos materiais.
1912 - 22 de Janeiro - Dada concessão pela Câmara Municipal ao Dr. Alfredo Eugênio
Vieira de Almeida, Artur de Almeida Vergueiro e Carlos Duarte Cruz, para a
construção de linhas férreas movidas a eletricidade, ligando vários pontos
do município; 22 de Fevereiro - Celebradas solenes exéquias na Matriz por alma
do Barão do Rio Branco; Março - Fundado neste mês o colégio São José,
dirigido pelo Sr. Olímpio de Souza Nogueira; 14 de Julho - É publicado o
primeiro número da "A Folha Nova", redatoriada pelo professor José
Borelli; 16 de Novembro - Inauguradas as últimas instalações da usina de
eletricidade que explorava o serviço no município.
1913 - 7 de Janeiro - Fundado o Banco de Custeio Rural; 11 de Janeiro - Inaugurada a
Banda Ítalo-brasileira; 3 de Junho - Inaugurado o Eden-Teatro, de propriedade
do Sr. Pedro Monici, com a magnífica Companhia La Oz.
Toma posse em 1914 a Câmara que serviu no triênio 1914-1916 composta dos seguintes
edis; Dr. Roberto Jorge Haddock Lobo Filho, Dr. Antônio de Souza Freitas, José
da Silva Bueno Brandão, Cel. João Batista de Lima Novaes, Dr. José de Araújo
Matto Grosso, Jacob Worms Júnior, Eduardo Leite de Souza, Dr. José de Almeida
Vergueiro, Cel. Eduardo Vieira e Faustino Pereira da Silva Júnior.
1914 - 30 de Maio - Inauguração das instalações da usina do Salto, para
fornecimento da iluminação elétrica à cidade; 16 de Junho - Fundado o
"Róseo Clube Pinhalense"; 1º de Novembro - Fundado o "Centro
Recreativo 13 de Maio"; Novembro - Fundados neste mês o "Ideal
Clube" e a "União Comercial".
1915 - 1º de Abril - Falece o Cel. Manoel Pio Ribeiro, destacado vulto pinhalense; 7
de Maio - Falece o Major Leocádio G. de Faria, republicano histórico e doador
do relógio público existente na torre da Matriz; 8 de Maio - Falece o
comendador Monte Negro, um dos baluartes do progresso pinhalense; 19 de Dezembro
- Registra-se o passamento do Barão da Motta Paes, notável político do Império.
Em 8 de Novembro de 1915, foi promulgada a lei nº 1473, criando o distrito de
Santo Antônio do Jardim, núcleo de gente operosa, que faz jus, por todos os títulos,
à distinção que lhe foi conferida com a elevação da povoação a distrito.
O distrito policial foi criado em 1908, tendo como suas primeiras autoridades os
cidadãos; Major Estevão Elpídio Romão, subdelegado; Gabriel Joaquim Ferreira
Sobrinho, 1º suplente de subdelegado; João de Souza Leite, 3º suplente de
subdelegado, Saturnino Galvão de França, escrivão.
Distrito de Paz teve como primeiras autoridades os seguintes senhores: Virgílio Dionísio
Ferreira, 1º juiz de Paz; capitão José Casimiro Teixeira, 3º juiz de Paz e
escrivão João Batista de Oliveira.
7 de Setembro de 1922
- Centenário da Independência do Brasil
1916 - 9 de Julho - Sob a presidência do Dr. Abelardo de Cerqueira César e do Cel.
Joaquim Leite de Souza, dirigentes das facções políticas em luta no município,
realiza-se uma reunião da qual resultou um congraçamento; 15 de Julho -
Fundado o "Circolo Italiano" local.
1917 - Janeiro - Tomou posse neste mês a Câmara que funcionou no triênio
1917-1919, composta dos seguintes cidadãos: Dr. José de Araújo Matto Grosso,
presidente; Jacob Worms Júnior. Dr. Antônio de Souza Freitas, Dr. José de
Almeida Vergueiro, Joaquim Leite Júnior, Cirino Pio Ribeiro, Dr. Manuel de
Almeida Vergueiro e Manoel José Alves Ponte; 4 de Novembro - Fundada a
sociedade "Damas da Cruz Vermelha".
1918 - 16 de Junho - Visita do general Luiz Barbedo, comandante da 6ª R.M., para
participar das festas comemorativas da entrega da bandeira ao Tiro de Guerra
268. S. Exa. e sua comitiva foram recebidos com grandes manifestações de apreço.
Em 1918, o professor Iclérico Gomes faz circular um anuário de Espírito Santo do
Pinhal e de outras localizadas da zona. Nesse ano eram publicados os seguintes
jornais; "Diário do Povo" e "O Trabalho" sob direção do
Sr. Otaviano Costa; "O Pinhalense", sob a direção do advogado
Laurindo de Azevedo Marques e "O Cisne", a cargo do Sr. Orestes Alves
da Silva.
Ainda nesse ano, um notável acontecimento de caráter mundial repercutiu intensamente
em nosso município: o término da primeira conflagração mundial, iniciada em
1914.
A Câmara que serviu no triênio 1920-1922 era composta do Sr. Joaquim Leite Júnior,
presidente; Cel. José Ribeiro da Motta Sobrinho, Dr. Antônio de Souza Freitas,
Dr. Manuel de Almeida Vergueiro, Dr. Francisco Vergueiro Porto, Cel. Joaquim
Batista de Lima Novaes, Affonso da Silveira Leme e Eduardo Vieira.
Desde a proclamação da República até 1922 exerceram o cargo de Prefeito os
seguintes cidadãos: Honório d'Ávila Pereira Soares, Antônio Pedro de Araújo
Pimentel, Manoel José da Silva Barreto, Carlos Gonçalves Teixeira (todos com o
nome de "Intendente Executivo"), Antônio Temas Pacheco Lessa, José
da Silva Bueno Brandão, Cel. João Batista de Lima Novaes, Dr. José de Araújo
Matto Grosso, Jacob Worms Júnior e Cel. José Ribeiro da Motta Sobrinho.
Com este último prefeito e ilustre cidadão, iniciou-se, mercê do seu tino
administrativo, inteligência e cultura, grande fase de remodelação da
administração municipal, de notável progresso.
1921 - 6 de Novembro - Visita esta cidade o Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, então
Presidente do Estado, a quem foram tributadas excepcionais homenagens.
O dia 7 de Setembro de 1922, primeiro centenário da Independência do Brasil,
assinalou, assim como em todo o país, grandes festejos na cidade de Pinhal. Já
dissemos anteriormente que a abolição da escravatura e a promulgação da República
vieram consolidar a nossa independência proclamada em 1822 nas margens do
Ipiranga.
Essa sucessão de fatos, de relevante importância para a vida política, econômica
e espiritual do Brasil, trouxe um corolário de bens de valor incalculável; a
emancipação da tutela portuguesa, que já se nos fazia pesada; a abolição da
escravatura, que enodoava nossos foros de povo civilizado; a substituição de
um regime que, maduro na filosofia das nações, vinha sendo varrido do mundo
político desde o advento da Revolução Francesa.
A Câmara que serviu no triênio 1923-1925 era composta dos seguintes cidadãos;
Joaquim Leite Júnior, Cel. José Ribeiro da Motta Sobrinho, Luiz Benassi, José
Antônio Vilas Boas, Dr. Manuel de Almeida Vergueiro, Dr. Francisco Vergueiro
Porto, Affonso da Silveira Leme, Eduardo Vieira e Ulisses Fernandes Pereira.
Em 29 de Abril de 1923 surge "A Gazeta" sob a direção do Sr. José
Benedito da Motta.
A revolução de 1924, encabeçada pelo General Isidoro Dias Lopes, teve ampla
repercussão neste município, tendo sido tomada a cadeia pública local pelos
revoltosos, chefiados neste setor pelo tenente João Cabanas que, segundo voz
corrente, teve a orientá-lo o Monsenhor Guilherme Lambel de Moura, ex-vigário
da paróquia. Não resta dúvida, porém, que o antigo pároco acompanhou-o
nessa diligência, armado militarmente.
A Câmara que serviu no período 1926-1928 era composta dos seguintes senhores:
Luiz Benassi, presidente; Segisfredo da Motta Rosas, Joaquim de Souza Brito,
Cel. Joaquim Ribeiro da Motta Sobrinho, Gaspar Pereira da Silva, Benedito do
Nascimento Rosa, Dr. Ulisses de Almeida Vergueiro e Lindolfo de Souza Leite.
30 de Janeiro de 1926 - Inauguração do jardim do Fórum com a visita do Dr. Bento
Bueno.
Em 28 de Fevereiro de 1926, surge o primeiro número de "O Jornal do Comércio",
em segunda fase, de propriedade do Sr. João Mangilli e redatoriado pelo Prof.
Benedito Brito.
A Câmara que funcionou de 1929 a 24 de Outubro de 1930 era composta dos seguintes
senhores: Dr. José Leite Ferreira Sobrinho, presidente; Segisfredo da Motta
Rosas, Luiz Benassi, Alberto Florence, Dr. Manuel de Almeida Vergueiro, Dr.
Carolino da Motta e Silva, Dr. Amando Ribeiro Vergueiro, Paulo Cordeiro Prestes,
Alberto Bartholomei e João Antunes.
Fundado no dia 5 de Maio de 1930 o Ginásio de Espírito Santo do Pinhal, de
propriedade, em 1932, dos Srs. Drs. Francisco Álvares Florence, Paulino de
Filippi, Eduardo Canto Sobrinho e o farmacêutico Joaquim de Souza Brito.
Grande repercussão teve nesta cidade a revolução de 1930 que culminou na deposição
do presidente Dr. Washington Luiz Pereira de Souza. S. Excia., que havia
visitado Pinhal e a quem foram tributadas excepcionais homenagens, era
geralmente estimado pelos pinhalenses.
Grande crise cafeeira abalou todo o Estado, antecedendo esse golpe, sendo Pinhal um dos
municípios mais atingidos, com caráter de verdadeiro desastre.
Tendo o delegado de Polícia, Dr. Vidal Ferreira de Aguiar, recebido em 3 de Outubro
um telegrama avisando-o da irrupção do movimento revolucionário, reuniu o
Prefeito e demais autoridades locais, sendo tomadas as providências que o
momento requeria.
Em virtude do recolhimento do destacamento local, a cidade passou a ser policiada
por elementos civis e as estradas por elementos do tenente Joaquim Silveira,
comandando do setor de Santo Antônio do Jardim, onde foi fundado o "Batalhão
Pinhalense de Voluntários".
Vitoriosa a revolução, o Dr. Marcos Mélega, delegado dos novos dirigentes, deu posse de
governador da cidade em 29 de Outubro de 1930 ao Dr. Waldomiro de Almeida
Vergueiro, que permaneceu nesse posto até 22 de Dezembro do mesmo ano, sendo
substituído nessa data pelo Dr. Vicente Gonçalves de Oliveira.
No período governamental do Dr. Vicente Gonçalves de Oliveira, precisamente a 31
de Janeiro de 1931, ocorreu a visita à sua terra de nascimento do cardeal D.
Sebastião Leme da Silveira Cintra.
A chegada do comboio conduzindo S. E. e sua comitiva foi recebida com repique de
sinos de todas as igrejas e capelas da cidade e com salva de 21 tiros, sendo o
cardeal saudado pelo Dr. Acrísio da Gama e Silva, em nome do Governo do
Estado. No mesmo dia profere D. Leme na igreja Matriz formosa e tocante oração.
Regressou ao Rio de Janeiro no dia 3 de Fevereiro de 1931, após receber durante sua
permanência na sua terra natal excepcionais homenagens, às quais se associou
toda a população.
A Câmara que serviu no triênio 1923-1925 era composta dos seguintes cidadãos;
Joaquim Leite Júnior, Cel. José Ribeiro da Motta Sobrinho, Luiz Benassi, José
Antônio Vilas Boas, Dr. Manuel de Almeida Vergueiro, Dr. Francisco Vergueiro
Porto, Affonso da Silveira Leme, Eduardo Vieira e Ulisses Fernandes Pereira.
Em 29 de Abril de 1923 surge "A Gazeta" sob a direção do Sr. José
Benedito da Motta.
A revolução de 1924, encabeçada pelo General Isidoro Dias Lopes, teve ampla
repercussão neste município, tendo sido tomada a cadeia pública local pelos
revoltosos, chefiados neste setor pelo tenente João Cabanas que, segundo voz
corrente, teve a orientá-lo o Monsenhor Guilherme Lambel de Moura, ex-vigário
da paróquia. Não resta dúvida, porém, que o antigo pároco acompanhou-o
nessa diligência, armado militarmente.
A Câmara que serviu no período 1926-1928 era composta dos seguintes senhores:
Luiz Benassi, presidente; Segisfredo da Motta Rosas, Joaquim de Souza Brito,
Cel. Joaquim Ribeiro da Motta Sobrinho, Gaspar Pereira da Silva, Benedito do
Nascimento Rosa, Dr. Ulisses de Almeida Vergueiro e Lindolfo de Souza Leite.
30 de Janeiro de 1926 - Inauguração do jardim do Fórum com a visita do Dr. Bento
Bueno.
Em 28 de Fevereiro de 1926, surge o primeiro número de "O Jornal do Comércio",
em segunda fase, de propriedade do Sr. João Mangilli e redatoriado pelo Prof.
Benedito Brito.
A Câmara que funcionou de 1929 a 24 de Outubro de 1930 era composta dos seguintes
senhores: Dr. José Leite Ferreira Sobrinho, presidente; Segisfredo da Motta
Rosas, Luiz Benassi, Alberto Florence, Dr. Manuel de Almeida Vergueiro, Dr.
Carolino da Motta e Silva, Dr. Amando Ribeiro Vergueiro, Paulo Cordeiro Prestes,
Alberto Bartholomei e João Antunes.
Fundado no dia 5 de Maio de 1930 o Ginásio de Espírito Santo do Pinhal, de
propriedade, em 1932, dos Srs. Drs. Francisco Álvares Florence, Paulino de
Filippi, Eduardo Canto Sobrinho e o farmacêutico Joaquim de Souza Brito.
Grande repercussão teve nesta cidade a revolução de 1930 que culminou na deposição
do presidente Dr. Washington Luiz Pereira de Souza. S. Excia., que havia
visitado Pinhal e a quem foram tributadas excepcionais homenagens, era
geralmente estimado pelos pinhalenses.
Grande crise cafeeira abalou todo o Estado, antecedendo esse golpe, sendo Pinhal um dos
municípios mais atingidos, com caráter de verdadeiro desastre.
Tendo o delegado de Polícia, Dr. Vidal Ferreira de Aguiar, recebido em 3 de Outubro
um telegrama avisando-o da irrupção do movimento revolucionário, reuniu o
Prefeito e demais autoridades locais, sendo tomadas as providências que o
momento requeria.
Em virtude do recolhimento do destacamento local, a cidade passou a ser policiada
por elementos civis e as estradas por elementos do tenente Joaquim Silveira,
comandando do setor de Santo Antônio do Jardim, onde foi fundado o "Batalhão
Pinhalense de Voluntários".
Vitoriosa a revolução, o Dr. Marcos Mélega, delegado dos novos dirigentes, deu posse de
governador da cidade em 29 de Outubro de 1930 ao Dr. Waldomiro de Almeida
Vergueiro, que permaneceu nesse posto até 22 de Dezembro do mesmo ano, sendo
substituído nessa data pelo Dr. Vicente Gonçalves de Oliveira.
No período governamental do Dr. Vicente Gonçalves de Oliveira, precisamente a 31
de Janeiro de 1931, ocorreu a visita à sua terra de nascimento do cardeal D.
Sebastião Leme da Silveira Cintra.
A chegada do comboio conduzindo S. E. e sua comitiva foi recebida com repique de
sinos de todas as igrejas e capelas da cidade e com salva de 21 tiros, sendo o
cardeal saudado pelo Dr. Acrísio da Gama e Silva, em nome do Governo do
Estado. No mesmo dia profere D. Leme na igreja Matriz formosa e tocante oração.
Regressou ao Rio de Janeiro no dia 3 de Fevereiro de 1931, após receber durante sua
permanência na sua terra natal excepcionais homenagens, às quais se associou
toda a população.
3 de Julho de 1932 - Lançamento da pedra fundamental do prédio da Associação Espírita
"Vicente de Paulo".
Com a irrupção do Movimento Constitucionalista verificado em 9 de Julho de 1932,
Pinhal, assim como todas as coletividades do Estado, viu-se empolgada pelo
grande acontecimento que assoberbou todo o Brasil.
É a seguinte a seqüência dos acontecimentos desenrolados nesta cidade durante o
período da revolução constitucionalista:
10 de Julho - Chega a esta cidade a notícia da irrupção do movimento na capital,
com ramificações em todo o interior; o destacamento local, sob a direção do
tenente Mário Bueno, recebeu ordens de seguir para São Paulo.
11 de Julho - Constituído o comitê revolucionário do 7º distrito, composto dos
Srs. Dr. Carolino da Motta e Silva, Francisco Espíndola Dias, Dr. Vicente
Pinheiro, Dr. Tomaz Lessa, Cel. Francisco Vieira e Dr. Manoel Carlos Siqueira.
13 de Julho - Chega o major Francisco Garcia comissionado pelo Governo do Estado para
organizar um batalhão patriótico e iniciar o alistamento, instalando-se no
G.E. Dr. Almeida Vergueiro; o Instituto "Pascoal Brando" oferece seus
serviços ao setor; o major Francisco Garcia adoece gravemente, regressando à
capital.
É substituído pelo capitão Vicente Garcia e este, mais tarde pelo
tenente-coronel José Dias de Campos, que também foi substituído pelo
tenente-coronel David da Silva Costa.
16 de Julho - O Hospital Francisco Rosas põe à disposição das forças paulistanas
suas dependências; realiza-se no prédio da Prefeitura, promovido pela
Inspetoria Regional de Ensino, uma reunião na qual foi fundada a "Associação
de Assistência aos Soldados".
17 de Julho - Segue com destino ao Estado de Minas, a primeira turma de voluntários pinhalenses;
chegam de todos os pontos do município donativos a campanha.
18 de Julho - Instala-se no edifício da Prefeitura, a Delegacia Técnica, sob a direção
do major Dr. Asdrúbal Lacerda.
24 de Julho - Organiza-se a comissão local do M.M.D.C., da qual faziam parte os
capitães Gentil Ribeiro de Oliveira Motta e Joaquim Leite Júnior, assumindo a
chefia do alistamento civil o prof. José Floriano de Azevedo Marques; a
Inspetoria Geral do Serviço Hospitalar da zona Campinas-Mococa forma nesta
cidade um departamento de saúde, com o concurso de todos os profissionais da
cidade.
4 de Agosto - É publicado o jornal "Nove de Julho", órgão oficial do
M.M.D.C., desta cidade.
5 de Agosto - Chega a Pinhal, o 3º batalhão do Regimento "Nove de
Julho", comandado pelo capitão Esdras, do Exército, e que ficou
aquartelado no Cine Teatro Avenida e no armazém de café do Sr. João Antunes.
14 de Agosto - Toma posse o delegado de Polícia Dr. João Pinto da Costa, em
substituição ao Dr. Cornélio Nogueira França; inicia a agência local do
Banco Comercial do Estado de São Paulo a campanha do ouro.
21 de Agosto - Inaugura-se no prédio Trianon, situado na Praça da Independência,
a "Casa do Soldado".
Suspendem sua publicação os jornais da cidade. Pinhal é ocupada pelas forças federais.
Neste ponto deve ser ressaltada a atitude patriótica de monsenhor José Mendes,
do Dr. Abílio Pinheiro e de outros cavalheiros, graças aos quais a ocupação
desenvolveu-se pacificamente, sem danos para a cidade e para os seus habitantes.
Durante a ocupação e até o término do movimento iniciado em 9 de Julho, governaram a
cidade o tenente Lybio Vieira de Rezende e o tenente Nilo Santiago.
Tombaram na campanha, entre outros, os seguintes pinhalenses, aos quais Pinhal consagra
verdadeiro culto: Ângelo Guerino, João Bueno dos Reis, José Tavarez de
Menezes e Américo Briza.
3 de Agosto de 1936
- Primeira Câmara após a Revolução de 1930
1932 - 20 de Outubro - É empossado no cargo de Prefeito Civil o Cap. Vicente de Freitas
Guimarães; 15 de Novembro - É fundada a "Federação dos Voluntários",
com a seguinte diretoria: Dr. Raul Vergueiro, presidente; Dr. Vicente Benedito
da Silva, vice-presidente; Nilo de Souza Peixoto, 1º secretário; Joaquim
Ferreira Neves, tesoureiro. Conselho Consultivo: Dr. Benedito de Araújo,
Benedito Camilo Ramalho, Dr. Nestor Vergueiro, Jorge Rego Freitas e Gentil
Ribeiro de Oliveira Motta.
1933 - 1º de Janeiro - Inicia sua publicação o bi-semanário "A
Tribuna", sob a direção do prof. Domingos Gilberto Ramacciotti; 3 de Maio
- Realizam-se eleições neste dia, com grande comparecimento de eleitores; 7 de
Outubro - Visita oficial da "Bandeira Paulista de Alfabetização, com a
presença de D. Francisca Rodrigues; 14 de Outubro - Entra em vigor novo horário
do comércio; 23 de Outubro - Chega à esta cidade o capitão Romão Gomes,
comandante da milícia civil paulista, durante a arrancada de 1932.
1934 - É fundado o Partido Constitucionalista local, com o seguinte diretório: Dr.
Carolino da Motta e Silva, presidente; Dr. Raul Ribeiro Vergueiro,
vice-presidente; Gilberto Vieira, tesoureiro; Salvador da Costa Flores, secretário.
9 de Julho - Realizam-se diversas solenidades em virtude do transcurso do 2º
aniversário da Revolução Constitucionalista; 30 de Setembro - Chega a esta
cidade, sendo recebido com grandes demonstrações de entusiasmo, o Dr. Armando
Salles de Oliveira. É inaugurado por S. Exa. o Asilo de Mendicidade de Assistência
Vicentina; 6 de Outubro - Realiza-se no Cine Teatro Avenida grande comício de
propaganda eleitoral, com a presença, entre outros, do Cel. Euclides de
Figueiredo.
1935 - 6 de Abril - É criada pelo decreto estadual nº 7073 a Escola Profissional
Agrícola Industrial Mista Regional que recebeu, mais tarde, o nome de "Dr.
Carolino da Motta e Silva; 28 de Maio - Falece, causando grande consternação
na cidade, o Sr. Amélio Benassi, de distinta família aqui residente; 4 de
Julho - Assume as funções de Prefeito o Dr. João Plínio Fernandes; 15 de
junho - Fundada a linha de ônibus Pinhal - São João - Campinas pelos irmãos
Adolfo e Amadeu Bizzachi e José Rodrigues Neves.
1936 - 10 de Junho - Inauguração da Assistência Dentária Escolar "D. Lucinda
da Motta", no G.E. Almeida Vergueiro"; 3 de Agosto - É empossada a Câmara
Municipal eleita após a revolução de 1930, composta dos seguintes cidadãos:
Dr. José Leite Ferreira Sobrinho, Dr. Paulino de Filippi, Paulo Cordeiro
Prestes, José Ribeiro da Motta Sobrinho, Jayme da Silveira Leme, Dr. Abílio
Pinheiro, Antônio Pedro dos Santos, Dr. Américo Franklin de Menezes Dória,
Dr. José B. Moraes Leme, Dr. Valter Faustino e Dr. João Plínio Fernandes,
este último como Prefeito.
1937 - 26 de Maio - Ocorre o falecimento do Sr. Laurindo de Azevedo Marques,
conceituado advogado e ilustre jornalista, chefe de tradicional família de
educadores.
1938 - 20 de Março - Grande recepção na Sociedade Recreativa Pinhalense ao vigário
da paróquia José Mendes, por ter recebido da Santa Sé o título de monsenhor;
10 de Abril - D. Joana Maria de Oliveira Fernandes faz importante donativo para
a construção de um sanatório de alienados; 17 de Abril - Ocorre o falecimento
do Cel. João Batista de Lima Novaes, conceituado lavrador e prestigioso político;
31 de Maio - Deixa as funções de Prefeito o Dr. João Plínio Fernandes; 10 de
Julho - Assume as funções de Prefeito o Dr. Agenor Mondadori.
1939 - 7 de Março - Visita Pinhal, em caráter particular, o Ministro da Justiça,
Dr. Francisco Campos; 23 de Maio - Ocorreu o falecimento do Dr. Fabiano Augusto
Nogueira Porto, íntegro magistrado, primeiro juiz de Direito de Pinhal, tendo
instalado a comarca em 1892; 23 de Outubro - Colocado no Palácio da Justiça, o
retrato do Dr. Acrísio da Gama e Silva, ex-juiz de Direito da Comarca; 29 de
Outubro - Visita do Dr. Adhemar Pereira de Barros, então Interventor Federal.
31 de Julho de 1948
- Morte do Dr. Francisco Álvares Florence
1940 - 27 de Dezembro - Reunião preparatória, no salão nobre da Prefeitura, para a
fundação do Aeroclube de Pinhal.
1941 - 20 de Maio - Visita do Bispo Auxiliar da Diocese de Ribeirão Preto; 4 de
Junho - Nomeado Secretário da Justiça o Dr. Abelardo Vergueiro César; 21 de
Junho - Visita do Sr. Secretário da Justiça à sua terra natal; 26 de Setembro
- Falece o major Afonso da Silveira Leme, ex-prefeito e benquisto cidadão; 29
de Novembro - Visita do Dr. Fernando Costa, chefe do Governo Paulista.
1942 - 23 de maio - Ocorre o falecimento do Monsenhor José Mendes que, pelo espaço
de 18 anos foi vigário da Paróquia; 28 de Julho - Pelo decreto nº 12.822,
dado o nome de "Cel. Batista Novaes" ao 3º Grupo Escolar; 15 de
Agosto - Visitam a cidade os secretários da Educação, Segurança, Justiça,
Agricultura e outras personalidades; inauguração da agência local do Banco
Nacional da Cidade de São Paulo; 17 de Outubro - Falece no Rio de Janeiro o
Cardeal D. Sebastião Leme da Silveira Cintra, o mais ilustre filho de Pinhal.
1943 - 6 de Janeiro - Inauguração da filial do Banco Paulista do Comércio; 18 de
maio - Ocorre o falecimento do Cel. Amando de Almeida Vergueiro, ilustre cidadão;
12 de Junho - Visita pela segunda vez nossa terra o Dr. Fernando Costa,
Interventor Federal, procedendo as seguintes inaugurações; Clube Agrícola -
Retrato do Cel. João Batista de Lima Novaes e placa de bronze com seu nome -
Lançamento da pedra fundamental do 3º Grupo Escolar - Novo prédio do
Internato da Escola Profissional - Praça da Bandeira - Museu e Biblioteca
"Dr. Abelardo Vergueiro César - Prédio da Delegacia de Polícia.
1944 - 30 de Janeiro - Lançamento da pedra fundamental da Caixa Econômica Estadual,
com a presença do Secretário da Fazenda, Prof. Francisco D'Auria; do Pavilhão
D. Anita Costa e pedra fundamental do Abrigo de Menores, junto ao Asilo de
Mendicidade; lançamento da pedra fundamental do Ginásio Pinhalense de Esportes
Atléticos; 16 de Julho - Com a presença do Embaixador Macedo Soares, inauguração
da herma do Cardeal D. Leme e da placa da casa onde nasceu sua excelência; 15
de Outubro - Ocorre o falecimento do Sr. Eduardo Vieira, estimado cidadão e
banqueiro; 6 de Novembro - Falece o Sr. Manoel Joaquim Gonçalves, grande figura
do progresso pinhalense.
1945 - 15 de Janeiro - Inauguração do retrato do Cel. Motta Sobrinho no salão
nobre da Prefeitura Municipal; 27 de Fevereiro - Ocorre o falecimento do Sr.
Sampaio Júnior, distinto poeta e jornalista; 28 de Abril - Ocorre o falecimento
do Dr. Carolino da Motta e Silva, notável político e ilustre cidadão; 17 de
Agosto - Recepção aos pracinhas pinhalenses da FEB; 15 de Outubro - Inauguração
do Posto de Puericultura; 24 de Outubro - Visita de D. Carmelo Vasconcellos
Motta, Arcebispo de São Paulo.
1946 - 20 de Julho - Pavoroso desastre de caminhão na estrada da Areia Branca,
perdendo a vida 11 pessoas e ficando 22 feridas; 16 de Setembro - Ocorre o
falecimento do Senador Abelardo César, prestigioso político e grande cidadão;
5 de Novembro - Criação da Escola Normal e Ginásio de Pinhal, pelo
decreto-lei 16.263, já anunciada em 20 de Agosto pelo Sr. Danilo Tavolaro, em
nome do Sr. Governador da cidade, ao microfone da S. P. Pinhalense.
1947 - 23 de Fevereiro - Inaugurada a ZYJ-5, Pinhal Radio Clube; 17 de Março -
Instalação da Escola Normal; 2 de Abril - É nomeado Prefeito o Sr. Alberto
Bartholomei; 31 de Março - falece o Sr. José Olímpio Teixeira, distinto cidadão;
10 de Maio - Inauguração da filial do Banco do Estado; 29 de Maio - Ocorre o
falecimento do Cap. Segisfredo da Motta Rosas, ex-prefeito; 14 de Junho -
inauguração da filial do Banco Sul-Americano do Brasil; 13 de Outubro - Início
das suas atividades no novo prédio, a Caixa Econômica e a 27 de Outubro a
Coletoria e o Posto de Fiscalização, inaugurado no dia 12, com a presença do
Governador Dr. Adhemar de Barros, que, nesse dia
também inaugurou a nova sede do Ginásio de Esportes; 9 de Novembro - Eleito
Prefeito o Sr. Antônio Costa.
1948 - 1º de Janeiro - Instalação da Câmara Municipal; 29 de julho - Falece o
Cap. Alberto Florence, ilustre cidadão; 31 de Julho - Ocorre o falecimento do
Dr. Francisco Álvares Florence, ocupando o cargo de Presidente da Assembléia
Legislativa do Estado, cujo desaparecimento constituiu para Pinhal perda irreparável,
em virtude do amor que consagrava a esta terra, pela qual muito fez e ainda
poderia ter feito, se vivo fosse.
1948 - 10 de Outubro - Impostos aos padres J. J. Balbino Fuccioli e João Ambrósio, pelo
Bispo da Diocese, os paramentos de cônegos; 20 de Novembro - Ocorre o
falecimento do cap. Faustino Pereira da Silva Júnior, estimado cidadão.
1949 - 27 de Março - Inauguração da agência desta cidade da Caixa Econômica
Federal; 31 de Julho - ocorre o falecimento do Dr. Abelardo Vergueiro César,
ilustre homem público. Durante mais de cinqüenta anos, Pinhal ouviu e admirou
o prenome de Abelardo, representado pelos Drs. Abelardo César, pai e filho, que
nas esferas federal e estadual, por seus feitos, conseguiram elevar bem alto o
nome da nossa cidade ao mesmo tempo que alçapremavam o nome do nosso Estado e
da nossa pátria entre as nações; 28 de Agosto - Imponente festa cívico-militar
em homenagem a Caxias, com a presença do Presidente da República, General
Eurico Gaspar Dutra; Dr. Adhemar Pereira de Barros, Governador do Estado;
Novelli Júnior, Vice-Governador do Estado, General Canrobert Pereira da Costa,
Ministro da Guerra; Brigadeiro Armando Trompoviski, Ministro da Aeronáutica;
Almirante Sílvio Noronha, Ministro da Marinha; Honório Monteiro, Ministro do
Trabalho; Prof. Pereira Lira, Chefe da Casa Civil da Presidência e outras
personalidades de relevo da política, do exército, da marinha e das finanças,
cabendo a Pinhal a honra de, por espaço de algumas horas, ser considerada a
Capital da República. O programa foi o seguinte: Desfile da Escola Preparatória
de Cadetes - Uma escolta de batedores precede o carro presidencial ocupado pelo
General Dutra e pelo Governador do Estado - Inauguração do busto de Caxias na
Praça da Bandeira, falando o Sr. Antônio B. Machado Florence e o Ministro da
Guerra, terminando a solenidade ao som do hino nacional e com uma salva de 21
tiros - Visita às obras da nova Maternidade e Abrigo de Menores, sendo o
Presidente e sua brilhante comitiva saudados pelo Dr. Francisco Tomaz de
Carvalho Filho, M. juiz de Direito da Comarca - Almoço na fazenda da Escola
Profissional e Agrícola - Regressa ao Rio de Janeiro às 15 horas, o Presidente
da República - Banquete à noite, na Sociedade Recreativa - Baile na sede do
GPEA aos cadetes e outras solenidades, constituindo as festividades em homenagem
a Caxias, um dos maiores acontecimentos verificados em Pinhal desde a sua fundação.
Justo ressaltar o esforço e a dedicação demonstrados pelo Sr. Antônio B.
Machado Florence para o brilho dessa festa que o consagrou como filho dileto de
Pinhal, para todo o sempre.
Ainda por intercessão desse ilustre homem público, teve Pinhal a honra de receber o
título de "Primeira Urbs Cardinalícia do Estado de São Paulo, e a
visita, a 8 de Outubro, da imagem do Divino Espírito Santo, conduzida por S.
Eminência o Cardeal Motta, Arcebispo de São Paulo, acompanhado do Bispo da
Diocese, D. Manuel da Silveira D'Elboux e outros altos dignatários da Igreja.
27 de Dezembro - Encerrando-se as festividades do Centenário, é inaugurado o
obelisco mandado construir pela "Casa do Pinhal", em homenagem aos
fundadores da cidade, Romualdo de Souza Brito e sua mulher D. Thereza Maria de
Jesus, após a missa realizada na Matriz; inauguração do Dispensário de
Tuberculose; romaria ao túmulo dos fundadores da cidade; abertura da Exposição
Agro-pecuária-industrial e às 21 horas, inauguração oficial do edifício do
Palácio do Centenário, denominação dada à nova sede do Esporte Clube
Comercial.
O primeiro grupo espírita formou-se em Pinhal sob a direção de Manuel Rola
auxiliado por dona Idalina (sogra do Sr. Manuel Camargo). O segundo grupo surgiu
sob a orientação do saudoso José Seco, que por largos anos foi porteiro do
Grupo Escolar “Dr. Almeida Vergueiro”. Desse grupo fazia parte o popular
Tonico Costa, cujas faculdades mediúnicas se desenvolveram e se revelaram. José
Seco freqüentou as primeiras reuniões espíritas em casa de um senhor por
nome Laurindo Ribeiro da Cunha, apelidado de “Laurindão” e que residia à
rua Abelardo César onde hoje reside e está estabelecido o Sr. Orestes Bottura. Depois, ditos trabalhos passaram a ter lugar em casa de Dona
Maria de Lima, sogra do Sr. João de Melo. Residia a referida senhora no então Largo da Matriz, junto ao prédio da
Sociedade Recreativa.Mais tarde foram os trabalhos transferidos para a rua Emerenciana Leite, residência do
professor José Maria Loureiro. As aludidas reuniões só se processavam quando
por aqui aparecia algum confrade propagandista e pregador da doutrina. Dentre
estes costumavam aparecer em Pinhal um senhor por nome Fernando, residente em
Itapira e o Sr. Urias, residente no
Rio de Janeiro e irmão carnal de Dona Deolinda Loureiro, consorte do prof.
Loureiro. Corria, por essa época, o ano de 1909. José Seco já então
integrado nos meios espíritas, houve por bem fundar um Centro a que denominou
de Centro Espírita “Perdão, Amor e Caridade”, alugando para esse fim um prédio
na rua Eduardo Teixeira (antigo Beco dos Mosquitos). O primeiro grupo diretor
desse Centro se compunha dos seguintes: - Presidente, José Seco; médiuns Antônio
Costa (Tonico Costa), Dona Maria Carolina de Souza, José Medeiros (Juca Tigre),
Pedro Galvão e Dona Terezinha Munhoz. Eram congregados: - Alfredo Rodolfo de
Andrade, o popular Alfredo Lenheiro, Antônio Pereira, Manuel Rola, João
Severino, Maria Rosa Seco e Mariana Badan. Promoviam-se reuniões semanais
(quintas e domingos) e esporadicamente reuniões extraordinárias.
Em 1910 fundava-se o Centro Espírita “Amável Jesus da Galiléia”, instalado
em casa de José Seco e por ele dirigido. Freqüentavam seus trabalhos, além
da saudosa matrona e médium Dona Terezinha Munhoz, os seguintes irmãos: - José
Medeiros (Juca Tigre), Alfredo de Andrade,
Antônio Costa (Tonico Costa) e Juventino Worms Barbosa. Falecendo José Seco,
o Centro passou a funcionar, desde 1914, em casa Antônio Costa na então rua da Misericórdia, hoje rua Pinheiro Machado. Dirigiram
nessa ocasião os trabalhos do Centro em apreço os irmãos: - Lázaro José Gonçalves
e Joaquim Martins de Siqueira, tendo como colaboradores os irmãos Antônio Simão, Manuel Francisco de Barros, vulgo Maneco Seleiro,
Inocêncio de Barros Juventino Worms Barbosa e Dona Maria de Lima. Entusiastas da doutrina, Joaquim Martins de Siqueira e Benedito Pires doaram o terreno necessário à construção
de um templo próprio. Dai por diante passou o Centro em questão a ser dirigido pelos seguintes elementos: - Joaquim Martins de Siqueira, Antônio
Simão, Benedito Pires, Alfredo Andrade, Manuel Francisco de Barros, Inocêncio
de Barros, Sebastião Menezes, vulgo Sebastião Mineiro, e Juventino Worms.
Em 1912 contou o Centro “Amável Jesus da Galiléia” com a seguinte Diretoria:
- Presidente Alípio Couto - Vice-presidente Alfredo Avella. Membros: - Miguel
Cardoso, Sebastião Menezes, Juventino Worms e Lázaro José Gonçalves.
Centro Estrela da Caridade
A 11 de Janeiro de 1911, fundava-se por Manuel Rola e Eugênio José Gonçalves, o
Centro Espírita “Estrela da Caridade”, em prédio próprio cujo terreno
fora adquirido por compra feita ao Sr. Eugenio José Gonçalves. Sua primeira
Diretoria ficou assim constituída: - Presidente Adélia Rueff –
Vice-presidente Eugênio José Gonçalves - 1.o Secretário Elias Antônio
Ferreira - 2.o Secretário José Domingues Oliveira - Diretor Ana Lucia de
Almeida - 1ºs. Procuradores - Francisco Antônio de Camargo e Vicente Laurito -
2.o Procurador Joaquim Felício de Souza - Tesoureiro José Joaquim Bento
Moreira.
Decorridos 39 anos de labor espiritual vamos encontrar ainda Dona Adélia Rueff, a
benquista e veneranda Dona Adélia, com sua fé cada dia mais viva, com a sua
convicção cada vez mais inabalável, dirigindo o Centro “Estrela da
Caridade”. É de ver a sua bondade, o seu tacto todo especial, a sua calma e
reflexão no trato com as entidades espirituais, frente à direção dos
trabalhos. Digna do mais profundo respeito. De maior estima, Dona Adélia já bem velhinha no corpo, porém jovem
no espírito, é bem o exemplo vivo de um espírito ativo e cada vez mais
renovado. Parabéns, Dona Adélia!
Outros Grupos
Estáassim constituída sua atual Diretoria: - Presidente - Adélia Rueff - Vice
pres. Gilberto Leite Vieira - 1.o Secretário Amélia Neto 2.o Secretário José
Pacheco Dutra - Tesoureiro Ana Alquati - Procurador Francisco Bernardes Staut.
Em30 de março de 1914, Augusto de Souza Brito, coadjuvado por sua esposa, a médium
Dona Maria Carolina de Souza, fundou um grupo de orientação Kardecista. Seus
trabalhos iniciais contaram com a colaboração dos seguintes: Justino José
Rodrigues que presidia, Hermínio Cavagnolli, Olívia Urroz e Virgínia Sérgio.
Este grupo mais tarde, ou seja, em outubro de 1924, se converteu
no Centro Espírita “Paz, Amor e Compaixão”, sendo esse acontecimento
festivamente celebrado.Já nesse
tempo contava o Centro com a cooperação dos seguintes confrades: Adelina de
Oliveira, Maria do Carmo Pontes, Lázaro de Oliveira, Indalécio Sérgio de
Oliveira, Benedito Almeida, Júlia Maria de Jesus e Cristiano Pereira. Em 1927
eram congregados deste Centro os irmãos Agostinho Tóffoli, Júlia Tóffoli,
Sebastião Franco de Moraes, José Sabino, José Marcelino, Deolinda Gonçalves
e Orlando de Souza Brito, além dos já
mencionados.
Em 1936 contava com o concurso de mais os seguintes: - Simpliciano de Moura, João
de Oliveira, Anselmo Castilho, Cândida Castilho, Virgínia e Laudelina Sérgio.
Associação Espírita “Vicente de Paulo”
A 2 de novembro de 1927, em reunião solene, realizada no edifício do Éden
Teatro, desta cidade, por iniciativa do Major Francisco José Fernandes, mais
conhecido pelo apelido de Major Vitico e dos senhores José dos Reis Pontes,
Francisco Pereira Munhoz e Alípio Ferreira Couto, fundou-se a Associação Espírita
“Vicente de Paulo” tendo como objetivo a prática da caridade e o estudo do
Espiritismo Cristão em suas mais amplas manifestações.Presidiu a esse conclave o Sr. Major João Teixeira Branco que convidou
para secretários os senhores Hermógenes de Mello Júnior e Júlio Barbosa Júnior.Sob aclamação unânime ficou constituída da seguinte maneira sua
primeira Diretoria: - Major Francisco José Fernandes - 1.o Vice Presidente
Francisco Antunes - 2.o Vice Presidente Major João Teixeira Branco - 1.o Secretário
Hermógenes de Mello Júnior - 2.o Secretário Júlio Barbosa Júnior - 1.o
Tesoureiro -José dos Reis Pontes - 2.o Tesoureiro Francisco Paiva - Procurador
Geral Viriato Rodrigues Mendes - Orador Dr. Abílio Pinheiro - Orador Adjunto
Prof. José Rui Barbosa - Fiscal
Agostinho Tóffoli.Dentre os antigos sócios, guarda a Associação a memória do seu benemérito fundador e
benfeitor, Major Francisco José Fernandes, falecido em 18 de março de 1933.Por ele foi doado o prédio onde funciona a Associação, à rua Pinheiro
Machado.
No desejo de melhor atender às suas finalidades bem como ao imperioso do seu
crescente desenvolvimento, a Associação Espírita “Vicente de Paulo” no
momento está introduzindo reformas substanciais em seu templo sito à rua
Pinheiro Machado.E o prediozinho modesto de até a pouco, vai se metamorfoseando em templo de beleza arquitetônica
admirável, verdadeiro ornamento para o urbanismo pinhalense, valioso esforço
de sua atual Diretoria que está assim constituída: - Presidente Agostinho Tóffoli
- Vice Presidente Francisco Paiva – 1º Secretario João de Oliveira – 2º
Secretário Antônio Mariano Lopes – lº Tesoureiro Antenor de Barros 2º
Tesoureiro Lupércio Rodrigues Novo – 1º Fiscal Pedro Martins de Souza – 2º
Fiscal João Batista Serpa - Orador Otorino Honorato. É muito provável que ao
ser publicado este trabalho já esteja concluída a obra de reforma do templo
acima mencionado.Em 1931, Antenor de Barros, João Pierotti (Jango), a esposa deste Dona Ana Pedroso
Pierotti, Mario Scanapieco, Oberdan Casalecchi e outros, organizaram-se em grupo
de estudantes e praticantes do Espiritismo Cristão, realizando os trabalhos
mediúnicos em casa de João Pierotti. Falecido João Pierotti, ditos trabalhos
passaram a ter lugar na residência do confrade Rogério Tito da Mota, quando,
em homenagem póstuma, foi dado ao grupo o nome de Centro Espírita “João
Pierotti”.
Em 1946, em virtude da maioria dos componentes deste Centro serem sócios da
Associação Espírita “Vicente de Paulo”, resolveu-se que os trabalhos
passassem a se realizar no templo da Associação. Faz parte também deste grupo
o Sr. Francisco Paiva.Dois grupos mais seja o “Humilde José da Galiléia” dirigido por Francisco Martins
Gimenez, e “João Batista”, dirigido por Manuel Cristino funcionaram nesta
cidade de 1922 a 1934 quando se incorporaram à Associação Espírita
“Vicente de Paulo”.
Associação Espírita “Estrela, Luz e Verdade”
Em 31 de outubro de 1944, no bairro do Sertãozinho, sob a direção de Dona
Adelina Correia de Oliveira e seu esposo Indalécio Sérgio de Oliveira surgia a
Associação Espírita “Estrela Luz e Verdade”. Verdadeiros crentes no
Espiritismo, esse casal abriu as portas de seu lar, transformando sua sala
principal em Centro de Cultura do Espiritismo. E o número de crentes a princípio
reduzido é hoje bem grande, motivo por que a idéia de se construir um templo
próprio surgiu entre os congregados. E se tão bem pensaram, melhor o estão
realizando, pois na rua recém-aberta, nos fundos da Igreja de São Benedito, um
belo edifício - o primeiro a ser ereto naquele local - vai recebendo aos poucos
os últimos retoques. E isto feito num rasgo de fé, à custa de ingentes esforços,
com as espórtulas dos congregados e ofertas generosas de corações bem
formados.
Dentro em breve será inaugurado o novo templo com uma série de conferências por
experimentado confrade da Capital do Estado. Está à frente deste Centro como a
sua esforçada e digna Presidente, a senhora Dona Adelina Correia de Oliveira.
Outros Centros
Pelo que se sabe há ainda dois outros Centros, seja o Centro Espírita “Estrela
Luz e Caridade” sito no Bairro do Matadouro e outro no bairro do Triangulo,
cujo nome ignoramos.
Além dos Centros legalmente organizados, com personalidade jurídica, existe um sem número
de grupos de estudiosos da doutrina Kardecista, seja do Espiritismo Cristão,
que funcionam nos diferentes bairros da cidade e em domicílios particulares. No
bairro do Alto Alegre, na chácara do confrade Américo Cavalheri funciona um
Grupo sob sua orientação, grupo esse que funcionou de 1936 a 1946 em casa do
falecido Sr. José Bueno Camargo (Nenê Camargo) no bairro supra citado.
Liga das Senhoras Espíritas de Pinhal
Ultimamente fundou-se na cidade, a Liga das Senhoras Espíritas de Pinhal que tem na sua
presidência a ativa e consagrada confreira, a médium Dona Odete Morais
Ribeiro, e que congrega todas as senhoras espíritas, membros dos diferentes
Centros da cidade. No desempenho da sublime missão de minorar os sofrimentos
atendendo às necessidades dos pequeninos, a Liga se tem desdobrado, levando ao
tugúrio do pobre o médico, o remédio, o alimento e roupas, e ao palacete do
rico a sua palavra de fé e de estímulo. É de ver a romaria que constantemente
aflui, ora à casa da Presidente, ora ao templo da Associação, agradecida e
satisfeita pelos benefícios recebidos. E a Dona Odete com aquela solicitude que
lhe é tão peculiar, com aquele espírito de servir, a todos atende sem distinção,
sem perguntar pelo credo religioso que professam.Há famílias que caminham 6 a 7 quilômetros, à noite, para virem
assistir aos trabalhos da Associação e da Liga. E para consolo e estímulo de
todos, a obra espírita, mercê de Deus, cresce e se desenvolve a olhos vistos.Os templos se abarrotam em dias de trabalhos práticos e de pregação do
Evangelho. Os grupos isolados vão se fundindo e novos Centros surgem.
Cumpre-se, destarte, a predição bíblica: - se a obra não for de Deus, ela se
desfará, porém se for de Deus, não se desfará. |